
Querido diário, por que o ser humano é tão covarde? Porque tem a disposição para sentir prazer e tanto medo de assumir seus erros? E será que é errado é errar? Quem foi a primeira pessoa que disse que é errado cometer um “erro”? De quem é a verdade? De quem é a razão?
Ontem eu fui curti uma festa na minha cidade, junto com dois amigos gays. As atrações não foram lá essas coisas... Margarete Menezes e Calcinha Preta... Margarete eu não gosto e Calcinha eu adoro, fui lá pra dançar, extravasar e comemorar minha aprovação no vestibular.
Show de Margarete eu curti bastante, dancei muito com meus amigos, fazendo coreografia e eles me imitando, foi legal demais. E o show de Calcinha Preta não superou minhas expectativas, cantaram músicas novas que não são tão boas quanto às antigas, mas mesmo assim dancei demais.
Tava dançando quando avistei um cara alto, forte, com aquela barriguinha de shop, e sem camisa, era ele mesmo: Ronaldo Costinha.
Ronaldo é um cara que eu converso no MSN, há um bom tempo, acho que até mais de um ano. Desde sempre a gente marca pra sair e nunca dá certo. Já começar porque nem ele e nem eu tínhamos crédito no celular. (risos). Mas de uns meses pra cá, não sei se ele mudou de idéia, ou se começou a ser sincero, mas me chamava descaradamente pra transar. E é lógico que eu não queria, porque você sabe, diário, que eu não sou nenhuma santa, mas tenho meus valores, sexo casual pra mim não existe, e ainda mais eu sou virgem e não quero perder minha virgindade com qualquer porcaria.
O nosso desentendimento aumentou muito mais quando ele adicionou uma amiga minha no Orkut, e começou a flertá-la, chamado-a para sair também. Ah, belo fulero ele é, não é? Sei que ele não me deve nada, mas eu tive ciúmes sim, não gostei, e olha que eu já fiquei com dois amigos dele, mas sem saber que eram amigos, mas mesmo assim, não gostei.
A nossa última conversa antes de vê-lo na festa, foi uma foda de uma briga. Eu fui fazer ciúmes a ele dizendo que o irmão dele que vi na foto do Orkut era um gatinho e que eu queria ser cunhadinha dele. Ele disse que o irmão tinha namorada. Eu disse que não tinha problema nenhum, porque eu não era ciumenta. Aí ele, disse “É, mas, meu irmão é como eu, só pega as negas se for pra comer”. Aí eu disse, “não tem problema, eu dou pra ele”. E começamos a conversar outras coisas. No fim da conversa, ele perguntou se eu iria dar mesmo pra o irmão dele. Aí me colocou na parede NE, inventei que tinha um namorado, e só podia dar depois que terminasse com o inventado. Aí ele disse, “é só enxame seu”, eu disse, “que nada, eu furo mais do que você”, aí ele disse, “tadinha, fode com o que, com o vento?”, eu disse, “com vento não, meu filho, com uma rola, bem maior e bem melhor que a sua”, ele disse, “e já provou da minha pra saber?”, eu disse, “não, mas tenho amigas que já provou, e já me falou sobre o palitinho de fósforo”.
Tudo inventado, NE, diário, mas pode ter mexido com a cabeça dele, porque realmente eu tenho amigas que já ficou com ele, e que certamente, ele deve ter transado.
Enfim, ficamos de mal, sem nos falar.
Mas quando eu o vi na festa, é lógico que lembrei da briga, mas não ia perder a oportunidade de falar com ele por causa disso. Peguei na mão de um dos meus amigos, e disse, “vamos ali, falar com um amigo meu”. Na mesma hora que ele me viu, me reconheceu, me abraçou, disse que eu era mais bonita pessoalmente. Mas se liga só, diário, no elogio de um cara super educado. Ele me disse, “você passou no vestibular, não foi, garota de várias faces?”, eu disse, “foi”, ele disse, “que bom, parabéns, você é foda”. (risos). Porra, educação, delicadeza e romantismo bateram recorde. (risos).
Eu pedi desculpas a ele pelas coisas que eu falei no MSN, ele disse que nem lembra mais, e que nem ligou pra o que eu disse. E assim fizemos as pazes. Mas eu sei que ele ligou sim, e que não me perdôo, apenas fingiu, pra poder ficar comigo. Mas me surpreendeu quando disse que ia embora, e me deu uns beijinhos na bochecha e nenhum na boca. Ok, voltei para os meus amigos.
Só que eu cheguei lá animada NE, e tava tocando a minha música, ou melhor, a música da Calcinha Preta, “to soltinha”, que eu adoro. E comecei a dançar e requebrar bem feito. Chamei atenção dos amigos dele que apontou e mostrou pra ele como eu tava dançando.
Ele voltou, só pra me ver dançar. Chegou lá e disse, meio de longe, “Garota de Várias Faces, faz um favor?”. E fui lá ver o que ele queria. Ele me perguntou se um daqueles caras que eu estava, era o meu namorado que eu inventei no MSN. Continuei com a mentira, dizendo que o tal cara estava em outra cidade. Aí ele disse, “então, garota de várias faces, eu vir aqui pra ver você dançar do jeitinho que vi você dançar lá atrás, quero ver você dançar assim na minha frente”, e comecei a dançar, provocando-o. Aí ele disse, “minha preta, agora chegue mais perto”, começou a me beijar. Pô, o cara suado, bebendo, enchendo a cara, eu esperei receber um daqueles beijos nojentos com gosto de cerveja, mas fui surpreendida com um beijo com gosto de hortelã e muito bom por sinal. Vai ver quem beijou ele com gosto de cerveja fui eu, (risos), já que também estava bebendo. Dancei com ele uma música, me deu mais uns beijinhos, e caiu fora, porque ia procurar um amigo perdido para ele e a turma dele irem embora.
Voltei para os meus amigos. Um dos meus amigos disse, “Garota de Várias Faces, não tinha lixo pior nessa festa, pra você pegar não?”. Eu dei risada e disse que ele era bonito sim. Mas aí foi que me lembrei que a festa tem MUITA gente conhecida, e que podem contar pra meu pai e minha mãe. Meus pais já não me deixam ficar com ninguém, e sabe como é a língua do povo NE, podem aumentar muito mais dizendo que eu fiquei com um vagabundo, sem camisa, cachaceiro e que tava na maior safadeza. O meu medo começou daí.
Quando Calcinha Preta tava tocando a música “Chupeta” de Psirico. Ronaldo voltou, veio de longe quebrando, e eu tava lá quebrando também, quando a música parou, ele parou na minha frente, me deu um selinho e foi embora de vez da festa.
E nisso continuei curtindo a festa, fiquei até o final, e depois fui pra casa.
Quando cheguei em casa, minha mãe perguntou se eu tinha aprontado alguma na festa, eu respondi com um tom dissimulado, que não tinha feito nada.
Mas to aqui morrendo de medo, e esperando algum fofoqueiro contar pra minha mãe ou para o meu pai, e eles virem brigar comigo simplesmente porque eu fui numa festa e beijei na boca.








