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sábado, dezembro 10, 2011

A Falta de Flores



Querido diário, eu sou um produto complexo resultado de todas as fases da minha vida e das minhas várias faces. Eu sou a falta de flores, de amor, de atenção. Eu sou complicada, transtornada, inconstante, tenho dificuldade de ouvir, não gosto de conselhos, nem de opiniões. Sou viciada no anseio em tomar as minhas próprias decisões, escolher os caminhos e fins para a minha vida. E por fim, eu acabo me aborrecendo porque os caminhos da vida a gente escolhe, mas o fim dela não pertence a nós, e sim, ao destino.

Quem lê o meu diário desde o início tem consciência de que a minha vida não é interessante. Raramente, eu falo de coisas boas, momentos de felicidade. Porque a minha felicidade eu a perdi faz tempo. Eu a perdi quando pensava que era feliz e num belo dia, eu acordei e vi que essa felicidade não passava de ilusão. Desde esse dia, eu passei a ser a falta de flores, de amor, de atenção. Passei a sorrir seco e entupir as minhas lágrimas. Desde esse dia, eu não sou feliz.

Quem lê o meu diário desde o início sabe que a minha vida nunca foi interessante, e também sabe, que as coisas têm piorado. É incrível como o tempo passa e a minha vida não muda. Há 3 anos atrás eu já reclamava das mesmas coisas que reclamo hoje, eu já sofria pelos mesmos motivos. A única coisa que muda é que a minha frustração aumenta a cada dia em que cultivo a esperança de um dia melhor e me reparo com o passado se repetindo no presente.

Ontem recebi um convite para ir a uma pizzaria conhecer o novo namorado de um amigo meu. Esse meu amigo terminou um namoro há pouco mais de um mês e já tem outro namorado, e o mais interessante é que é amor verdadeiro, eles se divertem muito, são felizes juntos. E eu... há quanto tempo estou sozinha e sem expectativa de encontrar ninguém, há quanto tempo um homem interessante não se aproxima de mim com anseio de amar. Há muito tempo! Aliás, já houve isso? Não me lembro.

Sei que é chato ouvir de um alguém “ah, eu preciso de um namorado, de alguém pra ser feliz”. Parece que eu estou enganada, e totalmente incoerente. Mas só eu sei quanta falta isso me faz.

Só dois homens foram significativos na minha vida, e você bem os conhece, diário, Herivelton e Miguel. Um me fez sofrer o quanto pôde, e outro me humilhou demais. É difícil ver que o barco de Herivelton andou e o meu permanece parado, é difícil ver que a humilhação que Miguel me fez não vai passar, que ela vai ficar como marca na minha vida, e que ele não vai voltar, não vai se arrepender, e mesmo que ele um dia sofra isso não vai compensar a humilhação que ele me fez passar. Não sai, é inapagável, consolidada, enraizada.

Os homens se aproximam de mim como se eu não tivesse alma, apenas corpo. E os que se aproximaram de mim me tratando como uma rosa, são doces demais, sensíveis demais, sonhadores demais, eu gosto de homem macho, nem que pra isso tenha que ser meio rude e meio grosso.

Para Herivelton eu vou ser sempre a máquina de sexo, para Miguel, o chão, onde ele pisa, cospe, faz o que quer. E ainda há gente sem um pingo de coração que me envia e-mail dizendo que eu não passo de um vaso para se jorrar esperma. É incrível como tal pessoa se acha tão sensata, e a única coisa que faz é machucar os outros, é incrível como tal pessoa se acha tão sensata e não é capaz de pedir desculpa se reconheceu seu erro, ou de dar uma resposta à altura, caso ainda se ache certo.

Eu comecei o texto muito bem, mas não consigo terminar. Não consigo expressar em palavras a solidão que eu sinto agora. Eu sou infeliz todos os dias, meus sorrisos são secos, as lágrimas entupidas, mas dias como hoje, o peso da dor desce todo sobre os ombros, é um fardo que eu já não tenho forças para carregar.

Hoje é 9 de dezembro, já são 23:30 e eu ainda não tomei banho e não fiz se quer uma refeição. Não tô com vontade de comer e nem com energia pra tomar banho.

Tranquei-me no quarto, chorei, gemi, gritei.

Fui à cozinha e ingeri quatro comprimidos pra dor. Enquanto bebia a água, ingerindo os remédios a minha consciência dizia que eu estava fazendo uma desgraça da minha vida. Mas a minha vida é uma desgraça desde os primórdios da minha existência, com o medo que eu tenho das pessoas, pela forma que eu fui criada, por ter sido sempre infeliz no amor. Tudo uma desgraça.

Eu já não consigo escrever esse texto e expressar tudo o que sinto.

Eu não vejo esse ato como suicídio, apenas como uma forma de relaxar. Pois é a terceira vez que faço isso e nunca me acontece nada. Na primeira vez eu ingeri três comprimidos, não senti nada. Na segunda ingeri quatro, fiquei apenas tonta, com a vista turva, mas nem ao menos cheguei a desmaiar. E nessa terceira, acho que novamente não vai me acontecer nada, vaso oco não quebra. Ingerir muitos comprimidos me relaxa, dispersa a minha mágoa, acalma o meu desespero.

Mas como do amanhã a gente nunca sabe, mandei uma mensagem sms para um amigo meu:

−Se algo acontecer comigo, faça um blog falando sobre a minha vida chamado “Pós Garota de Várias Faces”, e escolha você se é melhor manter no anonimato ou não.

Amanhã eu posso estar morta, se estiver, descansei em paz, me livrei dessa vida estressante. Ou posso estar viva, e se assim estiver, infelizmente, eu vou ter que arranjar um jeito de estar pronta para mais dias sem flores, sem amor, sem atenção.

Eu tenho quase certeza que estarei viva, e como diz Aristóteles, eu vou ter que me transformar numa deusa ou numa fera selvagem, e assim, encontrar prazer na solidão.

sexta-feira, dezembro 09, 2011

Dia Nublado



Querido diário, enquanto você está aí analisando a minha vida, procurando alguma forma de me julgar ou me confortar, eu estou aqui. Por aqui ainda não apareceu o arco-íris, ou será que ele apareceu e eu fui tão rude que nem o vi? Por aqui o céu ainda chove, aliás, puro exagero, está apenas nublado. E daqui, eu só vejo o chove e não molha. Na verdade, estou sentindo o sol frio de um dia nublado, e é apenas isso, uma paz. Porém, falsa paz, em que eu estou com saúde, sem nenhum problema familiar e nem morrendo de fome, a vista, tudo às ordens. Mas me sinto vazia por dentro, sem emprego, sem namorado, sem estar tão brilhante nos estudos, vida monótona.

Passei a madrugada inteira estudando para uma prova que fiz mal. Hoje dormi e não vivi. Esperei, esperei e nada de vim. E nessa monotonia, nesse vazio que me persegue, eu não tenho outro pensamento. Estou fazendo tudo que posso para esquecê-lo, mas ele ainda não saiu da minha mente. Parece inevitável pensar nele, falar o nome dele, ficar ansiosa para vê-lo. Parece idiotice, mas é fato. Aliás, é mais que idiotice, é burrice, mas é o que ocorre.

O que ele fez não tem desculpa. Ele merece a morte e as doenças mais martirizantes, sentir um pouco de toda essa dor que me causou. Eu não quero que ele venha aqui, atrás de mim, me pedir perdão, eu quero que ele vá para o inferno, volte para o lugar de onde veio, ele tem toda a maldade e imundície do diabo, e nem pra amante presta, pois não tem o fogo do capeta. Ah, demônio imprestável!

Mas eu me pergunto de qual beco do inferno vem todo esse sentimento que eu tenho por ele, esse carinho, essa sede de tomar posse, esse ciúme que me mata. Será que eu realmente amo esse homem, será que mais uma vez na minha vida estou amando uma pessoa que me destrói? Inevitável. Eu sei de todos os defeitos dele, e mesmo assim sigo querendo-o. Ocultamente, porém, querendo-o.

Isso são apenas palavras de momento, eu não o quero mais. Não quero a ternura e o carinho que eu nunca recebi. Não quero beijos fogosos, noites de amor. Eu tenho nojo dele, total repugnância de vê-lo ser o que é. Eu tenho raiva do passado em que eu me humilhava, implorava pelo amor dessa porcaria, implorava por essa porcaria, por essa bagaçada, por esse cadáver ainda não enterrado que leva o odor por onde passa.

Mas eu não consigo esquecê-lo. Por onde vá, eu lembro da face dele, do jeito dele, dos deboches dele, da humilhação que eu passei. Eu penso nele, imagino o que ele está fazendo no momento, involuntariamente sigo os passos dele, vejo coisas que não queria ver e ao mesmo tempo quis ver. Ele ainda não saiu da minha vida, e sei que isso por opção minha.

Eu me desfiz de número de telefone, perfil do orkut, mas mesmo assim continuo vendo facebook dele, involuntariamente claro, querendo saber da vida dele. Coisa que não deveria me interessar. Sei que o que eu tive com ele não foi nada, apesar de eu estar há oito meses apaixonada, eu fiquei com ele apenas duas vezes na minha vida, uma foi muito ótima e outra foi muito péssima. Aliás, o que eu tive com ele não foi nem um caso, foi um erro, um pecado e falta de respeito comigo mesma. O sexo com ele foi o pior dos piores, e a culpa foi toda dele. Um homem que não quer mulher por perto e que manda uma mulher sedenta de sexo vestir a calcinha, desculpe, mas não passa de um gay. E além de tudo é feio, tem uns dentes horríveis, uma bunda totalmente desproporcional ao corpo, e ainda se acha lindo, é incrível!

Apesar de tudo, eu sei bem que por trás de todo ódio, raiva, dores de cotovelo, repugnância, nojo, há a vontade de fazer parte da vida dele, de mostrar pra ele que eu não era aquilo que ele pensava. Hoje o dia está nublado, mas num dia ensolarado eu quero que ele volte, como um cão arrependido com o rabo entre as pernas, pedindo perdão, se humilhando como um dia eu humilhei, seja lá para eu me vingar ou aceitar a sua volta.

domingo, dezembro 04, 2011

Sou Mulher Mal Amada



Querido diário, tô num dia vazio, cheia de coisas pra fazer e nada feito. Trabalhos, provas, atividades, coisas que ainda não dei conta, e o pior, me falta ânimo para dá. Vetores, mais de oitenta questões, prova que eu ainda não estudei nada, e cadê a energia pra tudo isso? Tô com a cara amarrada, com o cabelo em pé e sem os pés no chão. Não tem nenhum homem me ligando, me procurando, me adulando pra me levar cama ou fazer parte da sua vida, tô extremamente só. E só para o meu diário eu não tenho vergonha de dizer que o maior dos meus problemas é falta de sexo, mais que de sexo, de amor, carinho, consolo, companhia.

Faz anos que eu não sinto companhia de um homem, faz muito tempo. E coisas não me faltam pra estudar, coisa pra fazer, cobranças, coisas que eu tenho que dar conta. Relacionamentos casuais não me entusiasmam mais como antes. Um telefonema, um peito masculino pra deitar, um homem que queira saber da sua vida, sucumbiu.

Sou mulher mal amada, de cara amarrada, carente de afeto, que mal consegue se concentrar nas coisas importantes devido à falta de sexo. Sexo com um homem de verdade, que a come muito bem como mulher e não como um pedaço de carne. Com um homem que transa muito porque tem desejo sexual e não para contar para os amigos, com um homem que te liga pra saber da sua vida e não pra marcar encontro, um homem capaz de te mandar flores, te dar uma palavra de afeto quando você precisar. Eu tô carente de amor e sexo com um homem de verdade, de uma real presença masculina. Há muito tempo não sinto isso e assim, virei uma mulher mal amada. Mal amada, mal comida, solitária, estressada, desestimulada, que até para estudar, me falta estímulo.

E vai se fuder quem disser que uma mulher não precisa de amor e sexo pra viver.

sábado, dezembro 03, 2011

Meu Novo Partido

Como conhecer seu pretendente


Meu novo partido é um moreno lindo. Faz exatamente o meu tipo físico de homem: moreno, grande, forte. Tem um ar todo sensual, seguro, um olhar sedento, penetrante. Um corpo lindo, uma pele morena, um jeito de macho. Não é o mais bonito entre os amigos, entre muitos homens, mas pra mim é uma atração inexorável.

Além de fazer exatamente o meu tipo físico, ele ainda é muito inteligente. Não resisti e quando soube o nome completo dele fui olhar a pontuação que ele fez no vestibular, excelente, uma pontuação equivalente ao curso de medicina.

E além de ser gato e inteligente, ele tem um olhar sedento. Balançava-me no semestre passado com olhares devoradores, que parecia me penetrar de desejo, de estímulo, de excitação. Ele parece ser incansável na cama. O fato é que além de o meu novo partido ser gato e inteligente, ele ainda é fogoso.

Além de ser gato, inteligente, fogoso, ele ainda é leonino, o meu signo de homem preferido. O homem de leão é um homem ativo, focado no futuro, criativo, adora uma idealização e se aborrece quando esse ideal não passa a ser real, odeia a mesquinhez.

Eu não o conheço. Não sei se ele é uma pessoa legal, se ele tem caráter, não sei o que ele pensa sobre as coisas do mundo, não sei os costumes dele, os defeitos dele, as fraquezas dele, os fardos que ele carrega. Eu não o conheço, não faço parte do ciclo de vida dele, apenas estudamos na mesma universidade. Eu não conheço a pessoa dele.

Ele seria mais um ser irreal da minha vida se eu não tivesse encontrado o facebook dele há alguns dias atrás. Agora a gente pode se conhecer, conversar, agora eu sei pelo menos o nome e o sobrenome dele.

Reciprocidade, eu sinceramente, não sei. Acho que sim. Período passado ele dava em cima de mim, me comia com os olhos, não parava de me olhar. E eu boba apaixonada pela droga do Miguel, não retribuía as investidas deste rapaz que vos falo. Boba eu fui, e ele parou de me olhar. No dia em que o adicionei nas minhas redes sociais conversamos normalmente, mas nada além do normal, nada demais. Será que ele cansou de dar em cima de mim, será que é charme, será que ele encontrou alguma pessoa especial. Eu não sei se é recíproco.

Eu não vejo esse rapaz como salvação da minha vida, retirada da fossa. Ele é uma forma de dispersar a mágoa que ainda sinto, um jeito de me fazer respirar mais livre com menos ódio e com mais sonhos. Uma possibilidade, um dia depois do outro, uma continuação da vida.

Sinto muito medo, de fazer tudo errado, de ser novamente confundida com uma mulher dissimulada, promíscua. Eu não sou assim. Eu tenho um lado doce e verdadeiro que poucos homens vêem. Espero que ele possa vê-lo.

Eu sinto medo, mas apesar do medo, me sinto mais forte, sei que aprendi no relacionamento anterior, foi um fardo a carregar, mas todo fardo é uma aprendizagem. Eu aprendi que ele não é a solução dos meus problemas, que se ele entrar na minha vida, nada vai mudar, apenas a minha visão de ver o mundo.

Aprendi a não tomar posse do que não é meu, apesar de ele ser lindo, gostoso, inteligente, tudo de bom, ele não é meu, e eu devo aceitar isso, não ser incoerente, não forçar a minha presença na vida dele, deixar as coisas acontecerem naturalmente.

E também não o quero muito, querer menos às vezes é o melhor a se fazer.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Férias de Homem



Querido diário, eu acho que eu mereço umas boas férias. Férias para descansar, para repensar, analisar a forma que eu tenho agido durante esses anos, a cabeça, a forma que eles pensam. Em outras palavras, é umas férias de um conjuntinho de três peças, decidi parar de comer banana e ovos para me sentir mais forte.

Cansei de homem.

E isso não quer dizer que eu não goste, mas o corpo deles está muito distante da mente, é fácil tocar o corpo, mas lidar com a mente deles é uma merda, é incrível, como os homens tem medo de qualquer proximidade afetiva com as mulheres que eles sabem que não são as mulheres da vida dele. E isso é chato. E isso é cansável. E chega a ser incoerente e broxante.

Ah, eu quero poder tocar o corpo e tocar a mente sem nenhum medo, sem nenhum compromisso, sem nenhuma cobrança. Eu quero é não amar e ao mesmo tempo não ter medo de amar.

Ontem, eu decidi tomar a CORAGEM de fazer uma coisa que eu sempre quis e nunca fiz, ficar com mulheres.

A vontade disso apareceu há 3 anos atrás, quando uma menina muito doce e meiga começou a treinar no karatê. Ela era tão linda, tão formosa, lutava mal pra caramba, por isso mesmo criei um sentimento por ela, acabei me identificando, já que no início dos tempos de treino eu também era como ela, sempre perdia as lutas, depois fui pegando o jeito. E me tornei não uma das melhores lutadoras, porém, uma das mais agressivas.

Porém, quando surge esse sentimento a nossa mente também preconceituosa repudia: − Que é isso, Garota de Várias Faces, você gosta de homem! / Meus amigos gays me fizeram ver que o mundo colorido é lindo e meramente normal, mais comum do que a gente pensa.

Mas o medo bate na porta. E bate sem parar. O medo de gostar, o medo de não gostar, de não saber o que fazer na hora H, de todo mundo ficar sabendo, de trazer grande decepção para os pais, de encarar o preconceito das pessoas. E uma salve de palmas para quem é gay assumido, tem que ter muito peito pra isso, tem quer ser muito homem, muito mulher, para gritar para o mundo: −Eu sou gay e sou normal!

Ontem eu pisei no medo e tomei coragem de falar com a menina com quem eu converso já há um bom tempo:

− Giovanna, eu preciso te falar uma coisa.

−Pode dizer, meu bem.

−É que eu não quero mais ficar de conversinha, de papinho pra lá e pra cá, o que eu quero mesmo é ficar com você.

Ela sorriu e me disse: −Mas esse problema a gente resolve fácil.

Eu a achava feia e estranha quando ela andava pra cima e pra baixo na instituição que estudamos com um dos meus amigos gays. Eu pensava que ela era heterossexual.

Comecei a olhar com outros olhos quando soube que ela era bi.

Comecei a achar ela linda quando passou a ser minha amiga. É divertida, e a forma que me trata é verdadeira, sem romantismo idiota e ao mesmo tempo doce. Eu gosto muito dela. Tomara que a nossa química seja muito boa e que enfim, sejamos amantes.

Depois de me declarar fui dormir, tive vários sonhos a noite com ela. Não lembro se eram sonhos muito bons ou ruins. Deixe que a realidade fale pelos sonhos.



segunda-feira, novembro 28, 2011

A Bagagem de Aprendizagem



Fim de um relacionamento é um dos momentos mais importantes da nossa vida. Sabe aquela velha história de que a gente aprende com a dor o que não se aprende com amor. Pois é, esse é um dos momentos da vida do qual mais amadurecemos, do qual vamos embora com certa tristeza e remorso, porém, com grande bagagem de aprendizagem. Cabe a nós enxugar as lágrimas, analisar os nossos erros e supervalorizar as coisas que aprendemos.
Sendo assim, eu listei 26 coisas que aprendi na minha última fossa, quer dizer, no meu último relacionamento, e decidi postar aqui para vocês:

1. Não se deixe levar pela sensação a primeira vista

2. Não veja ele como a sua salvação

3. Não tome posse do que não é seu

4. Não faça muito esforço, o que é pra ser será

5. Não precisa fazer tipo nem de santa, nem de puta para impressionar o cara

6. Siga a sua intuição

7. Se perceber que o cara não está na mesma sintonia que você, não insista

8. Não queira demonstrar que não quer para se fazer de difícil, demonstre que quer sim, porém, seja menos disponível

9. Faça tudo acontecer do jeito que você quer

10. Não vá pra cama com ele em hipótese alguma, quando a gente vai pra cama a gente perde o domínio sobre um homem

11. Não fique com quem não te respeita

12. Não desminta aquilo que você já mentiu

13. Melhore as suas habilidades eróticas

14. Não deixe ele encostar a cara, se você não estiver certificada de que o cheiro lá embaixo está agradável

15. Seja o mais agradável possível, nada de falar mal dele, nem com piadinhas do tipo

16. Não seja grudenta, ligar pra não falar nada ou falar com ele toda vez que ele entrar no MSN ou facebook você vira o símbolo da chatice

17. Deixe claro as suas intenções desde o início do relacionamento

18. Seja amiga dele, antes de tudo. Mostre na amizade que você é um ombro amigo, um alguém que ele possa confiar

19. Não queira relacionamento casual com uma pessoa que você nutre sentimento, saia dessa o mais rápido possível

20. Não dê atenção a conversas safadas de madrugada no MSN

21. Não fale sobre sexo com ele em hipótese alguma

22. Dê um fim ao relacionamento no primeiro desentendimento

23. Não deixe ele fazer o que quiser com você, tenha domínio sobre a situação, mesmo que o deixe com raiva

24. Antes só do que com uma pessoa que te faz mal

25. Não corra atrás se ele te disse adeus

26. Faça até tratamento psicológico para esquecê-lo, porém, esqueça-o.



domingo, novembro 27, 2011

Safira


Eu fui uma safira que apareceu na sua vida, azul, como o mar azul, cheio de sonhos. De cor bonita, formato torneado, brilho raro. Fui como uma safira que radiava todo tipo de iluminação, faça chuva ou sol, eu estava lá, radiando, radiante, como se nada tivesse acontecido. Eu fui uma safira que passou pela sua vida, mas passou.

Eu te daria qualquer coisa do meu corpo, da minha alma, da minha vida. Queria que nós dois nos transformássemos em uma pessoa só, com as mesmas necessidades, mesmos planos, mesmos objetivos. Puro querer, total ilusão, frustração.

Teu corpo era pra mim fonte de loucura, saciação da minha sede, doce tentação. Tentação que eu gostava de sentir, imaginar, idolatrar, fantasiar. Você foi o homem das minhas fantasias.

Desde quando o conheci, você passou a ser o meu delírio, e sobre mim desceu uma tempestade de paixão. Tempestade de fogo, de desejo, era tanto acumulado, uma paixão quase irreal, uma paixão por um ser que praticamente não existia, hoje eu sei, realmente não existia.

Tanto fiz e tanto fez. Os sonhos que eu sonhei, as coisas que eu planejei, nos mínimos detalhes de tudo que eu cuidei, por um descuido foi tudo de água a baixo. Hoje eu sei, tudo deu em nada.

Eu fui louca, apaixonada, alucinada por você. Totalmente submissa. Entregue aos teus pés, deitada na tua cama. Eu fui sua, passei tão rápido pela sua vida, que você nem percebeu.

Eu arrancaria de mim uma pele, engoliria do teu veneno, se necessário, pra te dar prazer. Mesmo assim você se desfez de mim, partiu meu coração, me mandou embora. Com o coração partido eu fui. Mas eu fui.

E isso não é um chamado de volta. Não venha pra minha tenda, não entre na minha vida, muito menos no meu corpo, sinceramente, você não é o homem certo nem pra sexo, nem para amor. Hoje eu sei, você não é nada.

Sou intensa demais para a sua racionalidade. Sou de esquecer o medo e me entregar totalmente a uma paixão. Mas eu não nasci pra viver com você.

E a você, frustração fruto da minha ilusão, homem das minhas fantasias, ser que não existia, eu só tenho a dizer que dos venenos que você me ofereceste, tu vais degustar em dobro porque o horizonte é mais profundo do que se pensas e a vingança é um prato que se come frio.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Aconselhamentos


Querido diário, passei um bom tempo sumida, mas estou de volta a minha vida ativa de blogueira. Diferente do que três pessoas me perguntaram por e-mail, eu não sumi por nenhum abalo emocional, acontece que eu fiquei sem internet por mais de quinze dias, não curto computadores públicos, só uso em caso de extrema necessidade, e não usaria para atualizar um blog anônimo, né. Enfim, vamos lá a vida ativa de escrever sobre a própria vida.

Depois do texto “Mil e um motivos para esquecê-lo”, eu não queria falar mais nada sobre isso aqui no blog. Mas me senti obrigada a isso.

Lembro-me como hoje, em um dos treinos do karatê, eu ainda era muito inexperiente, faixa branca, e dois meninos faixa azul conversavam com o professor. Eles tinham treinado bastante para um campeonato fora do estado, foram e perderam. Mas era interessante observar a forma diferente que o professor aconselhava a cada um deles. Com Guto, o professor, foi pelo menos rude, disse mais ou menos assim “no momento da luta, eu senti vergonha de você, parecia que você nunca tinha sido meu aluno, que eu nunca tinha ensinado as formas de detonar aquele cara, ele é um atleta manhoso, fácil de vencê-lo, e você não venceu, isso tudo é culpa somente sua, que deveria ter treinado mais, se dedicado mais e ter colocado tudo que eu te ensinei em prática...”. Eu e mais umas pessoas escutava atentamente as broncas que o professor estava dando nos meninos. Pela nossa surpresa, o professor não deu bronca nenhuma em Daniel, que também tem o mesmo nível de Guto, treinou igualmente como Guto, foi para o mesmo campeonato e assim como Guto perdeu vergonhosamente. Para ele, o professor falou, “Você tinha tudo pra vencer, por algum equívoco do destino você acabou perdendo, mas eu acredito em você, você vai treinar mais do que antes, vai voltar a competir com cabeça erguida e vai ganhar, vai trazer medalha de ouro, pode ter certeza disso”. Eu fiquei aterrorizada de ver a forma que o professor tratou os alunos completamente desigual. Os faixa azul foram embora e nós faixa branca iríamos treinar.

O professor comentava alguma coisa sobre eles e eu tomei a liberdade de perguntar:

−Sensei, eu só não acho justo a forma desigual que o senhor os tratou, os dois treinaram bastante, participaram do mesmo campeonato, em Guto o senhor deu uma rasteira com palavras e em Daniel, o senhor passou a mão na cabeça, não acho isso certo.

O professor olhou pra mim com um ar pensativo e me disse:

−Acontece, Garota de Várias Faces, que Guto é forte, tem um psicológico equilibrado, não se deixa levar por palavras, faz da sua dificuldade oportunidade para vencer, não se importa com o que os outros pensam, mas sim com o que ele é. Enquanto que Daniel é frágil demais, se frustra consigo mesmo, sofre intensamente suas emoções, ele precisa de uma palavra de estímulo e não de uma rasteira de palavras como você mesma disse. Se eu tivesse falado para Daniel o que eu falei com Guto, ele certamente iria se debruçar em choro, ficar ainda mais emocionado, frustrado, talvez até desistisse de lutar. Que ele é um perdedor, que lutou mal, que foi uma vergonha a derrota dele, isso ele mesmo já sabe, a consciência dele falou, eu não preciso falar, o que ele precisa hoje é de uma palavra de estímulo.

Isso faz 3 anos. Mas eu nunca esqueço desse treino e nem das palavras do Sensei.

Hoje, o rapaz veio instalar a internet, e com entusiasmo fui ler a minha caixa de e-mails do blog, não esperava ter tanto e-mail assim, 19. Não respondi todos, mas fui lendo um a um, até que li o e-mail de um leitor, do qual, vou proteger o nome. Segundo o rapaz o intuito dele era me sacudir, me acordar pra vida, pois bem, ao ler o e-mail, involuntariamente eu abri uma ferida que naquele momento estava cicatrizada.

“Você que não sabe o que fazer com a sua inteligência. Que só usa parte dela pra se expressar de forma cuidadosa, para que lhe vejam como uma "vítima do amor que sente". Você que não percebe que está passando atestado de imaturidade por opção.”

Segundo ele, não uso a minha inteligência pra quase nada, portanto, sou burra, ok, vamos lá.

Eu não vou colocar o e-mail todo aqui, pois é grande demais e sei que os leitores vão perder o entusiasmo lendo. Vou falar e colocar apenas as partes relevantes.

O e-mail segue falando um monte de conceitos dele, de um pré-julgamento que ele fez sobre uma coisa, que eu nunca falei aqui no blog, minha virgindade. Idéias totalmente equivocadas, talvez faça um post depois. Mas vamos lá as partes que me toca:

“Você simplesmente finge ignorar o fato de não ter qualquer poder de decidir a vida dele por ele e de fazê-lo te querer de verdade, além da sacanagem fácil que você mesma oferece. Parece até desconhecer que gostar, amar ou se entregar seja uma tarefa que depende da vontade de ambos os lados. Por acaso duvida que ele não seja capaz de amar uma outra mulher qualquer que realmente o interesse? Mas é justamente isso que vai acontecer quando essa mulher -que já está na cara que não é você- aparecer na frente dele. E pode ter certeza de que ela não vai precisar mover um dedo sequer para seduzi-lo e atraí-lo. Ela vai ter a vontade dele como aliada. Coisa que você não tem."

Então, você ainda acredita mesmo que vai conseguir tocar o coração de um sujeito que (obviamente) só vê mais vantagem em ter você -ou qualquer outra mulher- por perto para que o faça gozar, do que em tocar uma punheta de próprio punho? Seja sincera... Pois é assim que ele vê você quando a carência do tesão o aperta: um vaso sanitário com assento quente onde possa jorrar seu esperma com menos desconforto”

“E o mais estranho disso tudo é você não assumir que, no fundo, você gosta de ser esculachada. Pelo menos, por essa sua conduta que você apresenta, tem tudo pra assumir que gosta. Ou vai dizer que não gosta? Vai dizer que não gosta de ser tratada como um objeto descartável, como qualquer coisa que depois de usada, vai pro lixo ou pro fundo da gaveta? Não gosta de ser observada como a última alternativa frente ao vaso sanitário, onde o sujeito larga o leite sem pensar em nada além do alívio físico?”

“Saiba você que quando se ama, após o gozo, a vontade que temos é mesmo de abraçar, beijar e... de recomeçar tudo de novo.

Quando não se ama, após o gozo, a vontade que temos é de menosprezar, de distanciar e... de fazer desaparecer quem está na nossa frente.”

Na última postagem, acho que já tinha falado que Miguel se afastou de mim sem motivo nenhum depois da segunda péssima e última vez que tivemos. Eu liguei algumas vezes, ele recusou as ligações, eu o adicionei no orkut, e ele também recusou. Daí em diante eu tomei a vergonha na cara de não procurá-lo mais. Todos podem imaginar o quanto sofri, não é a minha primeira frustração, eu já tive decepção acho que com uns 10 homens na minha vida, mas essa é a segunda vez que eu sofro de verdade, que eu choro por um homem. Aí vocês podem me perguntar como chorar por um homem que não te merece, que te faz mal, gente, não é só isso não. Não é simplesmente estar sem ele, isso é o de menos, o que dói é o fato da rejeição, de ter recebido um não, ter sido dispensada, é ter recebido maltrato sem você ter dado motivo nenhum, é você ter sido tratada como bicho, enquanto que você é gente. Isso dói. Não é fácil de superar, o querer, o desejar, a vontade de amar vai, mas a humilhação fica, eu posso dizer que ganhei algo com a decepção, tentar criar uma ilusão, mas na realidade, quem perdeu fui eu.

Mas eu não o procuro mais, decidi esquecê-lo, não é fácil, mas eu tenho buscado forças e superar a vontade de desistir. O lema é fazer qualquer coisa, menos ligar pra ele, acabou esse ato vergonhoso de correr atrás de quem te despreza. Acabou.

Agora eu vomito minhas angústias, engulo meu tesão, sozinha, no meu silêncio. Não ligo mais pra Miguel, pra implorar que ele me explique o porquê de tanta rejeição, eu não tive culpa nenhuma, e se errei, claro que eu errei, fiz mal apenas pra mim mesma.

Tem dias que eu tô bem, esbanjando alegria num bem-estar, tem dias que eu tô mal, na fossa, com ódio, com ciúmes, triste demais, mas nessa variação de estado, o tempo vai passando, e eu sei que o tempo vai curar tudo isso, o tempo é o remédio para todas as feridas. A ferida não desaparece, mas ela vai ser cicatrizada.

Hoje pela manhã eu estava bem quando li esse e-mail. Eu fui trocada por uma menina linda, de cabelos pretos, longos e lisos, de brilhantes olhos castanhos, com jeito doce e meiga. Tudo que eu não sou. Enquanto que Miguel é feio, muito pouca coisa pra ela, mas ela tá feliz, está apaixonada por ele também. Então como ele um quase patinho feio conseguiu conquistar a princesa meiguinha? Com muito carinho. Coisa que eu nunca tive dele. Aí vem o rapaz do e-mail me dizer que a menina que vai ocupar o coração dele não vai mover um dedo para conquistá-lo. E isso é pura verdade, eu que fiz x bilhões de sacrifícios, nunca recebi valor algum.

E ao perguntar, quase afirmando que eu gosto de ser um objeto descartável, de depois de usada, ir pra o lixo ou para o fundo da gaveta. Não, eu não gosto,meu filho. Não é questão de gostar, é problema de saúde, meu filho. É questão de tratar o psicológico, e eu estou fazendo isso. E vou me curar. Mas hoje de manhã, ao estar bem, sem pensar em Miguel, abrir a caixa de e-mails e ler que eu fui um vaso sanitário, pra se jorrar esperma, sinceramente, eu pagaria pra não ter ouvido isso.

Depois disso fui ler o blog de uma mulher que passa pela mesma situação que eu, rejeição de um fuleiro, ops, de um parceiro. E coloquei o seguinte aconselhamento:

“Só tenho uma dúvida quanto ao seu texto...Você perdeu o emprego? Está desempregada? Ter que enfrentar problemas profissionais e amorosos ao mesmo tempo é muito difícil. Aliás, muito difícil é pouco pra definir isso, é simplesmente doloroso. E eu sei muito bem o que é ser rejeitada, tentar entender o que se passa na cabeça de um homem, na verdade, a gente tenta entender porque não quer compreender o que está visível: ELE NÃO GOSTA DE VOCÊ. E nem por isso você tem algum defeito, nem por isso você é pior que mulher nenhuma, nem por isso você deve ter culpa de nada, o que lhe resta é desaparecer da vida desse cara, sumir sem deixar rastros, ter a coragem de fechar a porta, enterrar esse passado e seguir em frente com a certeza de que você não perdeu nada e sim ganhou a possibilidade de conhecer alguém melhor. Força, Fulana, você é mais forte do que você pensa!”

Há alguns meses atrás eu comentava no blog dessa menina dizendo que o relacionamento não iria dar certo, ela foi super grossa e me julgou como infeliz por ter feito um comentário desse em plena felicidade dela, eu poderia muito bem, hoje ter chegado lá e ter escrito, “bem feito, eu te avisei”, mas o que ela precisa hoje é de uma palavra de estímulo, e não de um alguém pra enfiar o dedo na cara e dizer você errou e a culpa é toda sua.

O que o rapaz do e-mail falou não é nada mentira, tudo verdade, porém, eu sei tudo isso. Eu não preciso que além de a minha consciência falar o tempo inteiro, alguém venha me repetir. Assim como o lutador faixa azul no karatê eu sabia de todas as perdas, mas eu não precisava de alguém pra me dizer que eu perdi, no momento eu precisava de uma palavra de estímulo, e não ouvir/ler que eu fui um vaso sanitário para se jorrar esperma.

sábado, novembro 05, 2011

Mil e Um Motivos Para Esquecê-lo


Esqueça se ele não te ama, se ele não te olha com olhos doces, se ele não te toca com ternura, se ele te faz chorar, se ele não fala com você usando a arte das palavras. Porque homem também ama, e quando ama olha para a sua amada como olhasse para o paraíso, para o horizonte que é lindo e desconhecido, ele olha com admiração e ao mesmo tempo tem anseio em descobrir o que fala cada olhar dela. O homem que ama toca o corpo da mulher amada como tocasse a chave dos céus, como se chegasse na plenitude da vida, na realização total, homem que ama chega até abrir mão do seu prazer, das suas loucuras e fantasias para satisfazer a mulher amada. O homem que te ama, não te faz chorar, quem ama não magoa, não trai, não mente, não ilude, não usa, e também não se deixa sofrer, quem ama se ama e ama o outro, simultaneamente. O homem que te ama ele não vai falar um simples eu te amo, eu te quero, eu te desejo, ele vai arrancar as palavras do coração, cheias de sentimento e emoção pra te comover e ser eterno em sua lembrança. Assim é o homem que ama.

Eu amei, admirei, desejei com a força do coração. Eu o olhava com tanta ternura, tanta atenção, com tanto anseio, com satisfação, porque tantas vezes eu dormi pensando nisso em olhar pra ele, enquanto que na época eu não tinha nem uma foto. Por isso, o admirava demais quando ele estava na minha frente, seja despido ou vestido, eu prestava atenção em cada fio de pêlo nascendo, resistindo a pele raspada, àquelas sardinhas que ele tinha entre o pescoço e as costas, a marca da cirurgia de apendicite no abdômen. Eu tocava como se chegasse no ápice da coisa, por mais que eu soubesse que ali não passava de nada, que aquilo não ia fazer com que ele fosse meu, eu tocava aquilo que tanto almejei, que tanto almejava. Apesar da minha pouca experiência no sexo, eu passei a ler muito, meu desejo era provocar desejo, satisfazer meu homem, que não era meu, eu lia, lia, assistia, eu fiz uma lista de oitenta dicas de sexo... e quantas dicas eu pude colocar em prática, vejamos... das oitenta dicas que eu colecionei, eu pude pôr em prática apenas nove; e a culpa não foi minha, a culpa de o prazer não ter sido maior para ambos, foi dele, foi ele que não quis encostar em mim depois do sexo para que eu pudesse fazer uma massagem ou chupar a orelha dele; foi ele que não quis me chupar, para que eu pudesse enlouquecer na cama, fazendo-o se sentir o cara; foi ele que não quis continuar comigo, não quis pagar pra ver, ver a minha evolução no sexo, não me quis mais. A culpa foi toda dele e ele não merece nada, não merece nada do que eu fiz e nem do que faço, nem desse texto que eu tô escrevendo no momento, ele não merece porra nenhuma!

Eu tô tentando esquecer, sei que devo esquecer, mas falar é muito fácil, difícil é esquecer, difícil é as pessoas repetirem pra você aquilo que você já sabe, que ele me pisa, me usa, me rejeita, tudo isso eu sei, já martela em minha cabeça, e as pessoas ainda fazem questão de dizer e repetir. E mesmo assim, o cara continua na sua mente, nos seus pensamentos o tempo todo. Difícil é você ter que aceitar um não, ter que entender um afastamento sem motivo nenhum, um ódio, uma antipatia que a pessoa criou sem você fazer nada. Não tem como, cara, não tem como não vim a sensação de rebaixamento, enquanto que para as amigas dele, ele é uma seda, os sorrisos dele são de entusiasmo, com você ele é um cavalo e o olhar dele é de desprezo. É claro, que você mulher como eu vai se sentir mais inferior que as amigas dele, vai se sentir incompetente por não ter feito o cara que você gosta, gostar de você. É isso o que machuca bastante, isso que é difícil tirar da cabeça, a sensação de impotência, a lembrança de um não, de rejeição, é claro que você mulher, como eu, vai se sentir mais feia, mais burra, mais puta, ou culpada por não ter passado uma imagem legal, por ter sido passada pra trás.

O que eu queria era continuar vivendo como se nada tivesse acontecido, afinal, ele vive assim... eu queria virar essa página da minha vida, do meu diário, e nunca mais ler, como se não tivesse existido, porque, na verdade, eu tô cansada. Cansada de ser humilhada, cansada de tentar entender o que se passa na cabeça dele, de ter que suportar esse jeito inconstante que ele tem em que um dia estamos juntos, e no outro dia não atende as minhas ligações, e nem retorna, não quer falar comigo. Cansada de colocar você de novo em minha vida, dormir com sonho, com tranqüilidade, e acordar com a desilusão de que nada mudou, que tudo continua a mesma merda, e que nada vai mudar. Cansei, cara, cansei de ouvir seus insultos e sorrir pra você como se você não tivesse falado nada, como se não tivesse arrancado um pedaço do meu coração com as suas palavras. Cansei!

Quando estávamos no ponto de ônibus, ele já estava estressado porque tinha muitas coisas pra fazer em casa e o meu ônibus não passava, de repente, ele começou a dizer que estava com muito calor. Eu achei incoerente e engraçado ele estar com calor e ao mesmo tempo vestido num casaco. Dei risada e disse:

−Esse povo é doido, morrendo de calor e vestido num casaco...

E ele...

−É pra guardar o celular, idiota!

E a palavra mais forte da frase foi ele ter me chamado de idiota.

Rasgou meu coração e eu fiquei calada.

Quando estávamos na casa dele, depois de eu ter dado pra ele um banquete de sexo oral e ter engolido esperma dele, ele não quis retribuir o prazer. Quando tirei a calcinha, ele mandou vestir, disse que tava cansado e repetiu um não várias vezes.

Rasgou meu coração e eu fiquei calada.

Como já tínhamos brigado via MSN e telefone quando ele estava longe daqui, quando voltou quis ficar comigo de novo, pensei de as nossas desavenças terem acabado ele só quis ficar comigo novamente para me humilhar. Colocou uma música vulgar, ficou me ensinando as coisas como se eu não soubesse fazer nada pra me irritar, me bateu, virava o rosto quando eu iria beijá-lo, ficava movimentando os quadris na hora em que eu estava chupando, ele sabe que eu não gosto disso, depois que gozou nem se quer tocou na minha vagina, e depois disso, me expulsou da casa dele, e no caminho até o ponto de ônibus, ficou falando das um milhão de coisas que deixou de fazer pra ficar comigo, como se tivesse sido tempo perdido.

Na cabeça dele já estava tudo bem equipado o que ele iria fazer naquela noite pra me humilhar... ficar querendo dar de professor, pra eu me irritar; negar meus beijos e aproveitar que eu gosto de apanhar na hora do sexo pra me bater de verdade.

Eu tenho mil e um motivos para esquecê-lo, pra não pensar mais nele, pra não me importar com ele, retribuir o desprezo, odiá-lo. Mas o que impede isso é um rastro de esperança, que fica no fundo, no fundo do peito de cada mulher que ama e não é amada, a esperança de que um dia ele isso vai mudar, que ele vai se arrepender e correr atrás, a esperança de que um dia ele poderá te amar. Pura ilusão. Mil e um motivos para esquecê-lo.

quarta-feira, novembro 02, 2011

A Flor Vermelha



Eu estou aqui sentada num sofá em mais um dia de tédio, cheia de problemas, com a cabeça cheia, com o pensamento em você. Estou aqui deitada na cama, enrolada no frio, tentando dormir, fugir dessa situação, com os sonhos em você. Em você que pouco se importa comigo, que me trata mal e me odeia sem motivo algum.

Sei que não agi da maneira correta, fui com pressa, com afobação, mas tudo que até hoje eu errei, eu juro, foi por amar você, pelo desespero, pelo medo de te perder, foi que eu acabei perdendo. E perdendo feio, sem moral, sem consolo, sem respeito... sem explicação.

Eu sempre tento dizer, que não sei se te amo, que amor é palavra forte, é coisa séria e eterna. Tento dizer pra mim mesma que isso é uma paixão, fruto de carência, um engano, uma ilusão, que vai passar, é só paixão. Mas a realidade bate na porta, que eu te amo sim. Eu te amo demais porque é você que fecha a porta, me deixa do lado de fora, sozinha, com frio, com fome, com fome de você, e mesmo assim não consegue te esquecer. Eu te amo porque te quero com todos os seus defeitos, gordo, com o pinto pequeno, inconstante, grosso, imprevisível, soberbo. Eu te quero assim, eu te amo assim.

Já falei aqui que me falta amor próprio, que eu sou mesmo uma idiota e não tenho vergonha na cara, deixo todo meu orgulho de lado e corro atrás de você, na tentativa de te ter, porque apesar de tudo, eu sonho em ter você, em ver você tirar cada peça de roupa, com delicadeza, com amor; em ver seus sorrisos sinceros, divertidos, feliz por estar comigo; eu sonho em te ter toda hora, qualquer hora, sem receio, sem medo, com amor e paixão.

O que mais me inquieta são os pontos de interrogação que você deixa em cada desligar de telefone, em cada olhar de desdém, em cada subir de calcinha, como se não me quisesse para absolutamente nada. São tantas dúvidas, é estranho demais o jeito que você me trata, se eu nunca fiz nada de mal pra você, ou pelo menos não fiz a metade do que você fez comigo. Às vezes penso que você é gay, que se acha muita areia para o meu caminhão, que eu não te desperto desejo algum. Mas no meio de tantas dúvidas, tanta interrogação, eu sei o motivo de tudo isso. Aquilo que está em nossos pés, a gente acaba pisando. E eu estou aos seus pés, totalmente entregue, implorando por você.

Eu estou aqui sentada no sofá ou deitada numa cama procurando a oitava maravilha pra te dar. Eu estou no fundo do mar, procurando uma pérola pra te dar, ou no mais longo do azul do céu, em que as estrelas eu fui buscar. Eu tô passando a vergonha de contar pra as pessoas as humilhações que eu tenho passado por você; eu estou tirando a minha roupa, as vestes da alma, prestes a entregar os meus segredos como prova de amor, estou prestes a cair num buraco, num buraco profundo e sem volta por amor, por querer você.

Fico aqui pensando se devo mandar fores, contar o segredo das várias faces ou perder a minha virgindade com você. Fico aqui me perguntando qual o caminho mais próximo ou a ponte mais segura pra atravessar os obstáculos que te afastam de mim.

Sinceramente eu não queria protagonizar o vexame de uma mulher enviar flores para um homem, não quero abrir o meu diário, a minha vida pra ninguém, não quero cometer a loucura de transar sem ter a garantia do que vem depois, o que realmente eu queria era que você olhasse pra mim. Olhasse nos meus olhos e enxergasse que eu tenho sede de você, que se eu não saio do seu pé, é porque eu gosto de você. Eu queria que você saísse do jardim, dessa sua busca insana por um trevo de quatro folhas, e olhasse para o lado, pra o telefone, pra cima ou pra baixo e visse a flor vermelha, corada, inchada, inquieta com a ação do vento que insiste em trazer o cheiro que vem de você.