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sexta-feira, outubro 21, 2016

Um Vereador

Resultado de imagem para casal fazendo sexo 


Querido diário, como você sabe, sou solteira desde sempre, já sofri muito por não ter namorado, já me condenei muito quando era mais nova, quando fui amadurecendo, fui acostumando com a idéia de ser solteira e vi muitos exemplos de mulheres solteiras, bem sucedidas, que nunca precisaram e que nunca precisarão de um homem para nada. Fui me acostumando com isso e trazendo esse modelo para minha vida, de solteira feliz, mulher independente, super suficiente.

Não, eu não nasci para casar, para constituir uma família, para viver preso num casulo. Eu sou um pássaro, uma águia, brava para defender a minha liberdade. Mas isso não anula meus desejos de mulher. Quem disse que eu não gosto da companhia de um homem, do frio na barriga que a paixão nos traz, de me sentir importante, estimada. Tinha muito tempo que eu não sentia isso, última vez foi com Eduardo, que me

fez sentir mulher, me deu a felicidade ainda que breve de ser amada, me fez sentir dominada e ao mesmo tempo feliz por isso.

Foi na sede de sentir tudo isso de novo que eu conheci André. Eu já estava inclusive 8 meses sem sexo, sem vontade, sem emoção e sem libido.

Engraçado que eu conhecia e não conhecia André. Ele é vereador da minha cidade, eu acompanhei de longe a campanha passada, lembro das faixas dele, lembro que as pessoas achavam que ele não ia ganhar e ganhou, e lembro também de gente que dizia, “ele nem é daqui e vai se candidatar”. Enfim, eu nunca ouvi falar bem dele, mas nunca o tinha visto de fato.

Fui conhecê-lo nas eleições desse ano, mas precisamente em um enterro. Já tinha me chamado atenção um moreno alto, bem vestido, com pele de seda... nunca o tinha visto por aqui, até que ouvi falar que ele era vereador. Ah, então esse é André. Imediatamente, fiquei ouriçada mais do que já estava, não, diário, não sou mulher interesseira, mas um homem bem sucedido sempre chama a atenção das mulheres, principalmente quando é bonito, beleza e sucesso juntos é sinônimo de atração.

Tentei encará-lo no enterro, mas sem sucesso, desisti. Quando cheguei em casa pedi a minha pombogira que arrumasse um jeito de aquele homem ser meu. E também não escondi da minha família, o quanto ele me chamou atenção, minha mãe até ficou surpresa e chegou a dizer: - Minha filha, ali não é homem para você não, ali só quer as galegas...

E realmente, achei que minha mãe estivesse certa. Sei que sou bonita, mas não sou top das galáxias... ele é vereador, tem dinheiro e poder, se quiser pegar a miss do estado, ele pega, se quiser pegar assistente de palco de programa de TV ele pega. Para que e por que ele iria olhar para mim?

Mas eu continuei ouriçada por aquele homem e decidi procurá-lo nas redes sociais, não foi difícil encontrá-lo. Eu o adicionei e ele me aceitou e eu não fiz mais nada. Meio que engoli o que minha mãe falou e também não tinha assunto para puxar. Mas parece que o destino puxa a gente, as coisas que devem acontecer, elas simplesmente acontecem.

Eu não tenho lado na política da minha cidade, para mim é uma grande gangorra, onde sobe um lado, desce outro e nada muda. Nosso dinheiro está preso nas fazendas dos senhores de engenho. Mas um dos candidatos (da oposição) já foi cassado pelo TRE, não que o atual lá seja grande coisa, mas eu o defendi na comparação com o candidato cassado e ganhei um like de André. Nem foi minha pretensão, mas aí vi uma oportunidade de me aproximar dele.

Eu mandei uma mensagem: - Oi, André, se quiser pode vir aqui em casa apresentar suas propostas. Beijo

Político em época de política não quer perder nem gafanhoto numa lavoura. Ele respondeu imadiatamente minha mensagem e ainda me passou o watzzap dele.

Eu só fui adicionar no dia seguinte, não porque não tenha visto, e sim porque fiquei analisando se valia a pena. Essa mensagem que eu mandei foi só uma forma de puxar assunto, eu sabia que eu não poderia recebê-lo aqui em casa pois meu pai (dono da casa) não gosta de política. E ainda que fosse para paquerar, será que valia a pena, um homem casado, vereador, sabia que eu não estaria no “padrão” de mulher que ele deve pegar, pelo menos achava que não estava. Enfim, por insegurança eu não o adicionei na mesma noite.

Mas adicionei no dia seguinte e começamos a conversar, mostrei o pouco entendimento que eu tenho sobre política e meu português impecável, fingi que conhecia e acompanhava o trabalho dele, e nisso, tivemos muito assunto para conversar. E ele desde o início da conversa não escondeu o interesse em mim e me surpreendeu: - Você é bonita, mas nunca te vi por aqui ... – Teremos oportunidade de nos conhecer e bem... – Poxa, gostei de você, queria te conhecer pessoalmente.

E meu ego, claro, foi no céu! Eu me senti a mulher mais gostosa do mundo, pois eu jamais achei que eu poderia chamar atenção daquele homem.

E a estima vai para quem, vai para ela. Pombogira Maria Padilha. Pois eu pedi a ela que atraísse esse homem para mim, pode até ser destino, mas sei que tem um dedinho ou quem sabe até a mão inteira da Padilha nisso aí. Eu não duvido do poder da minha pombogira.

E fomos conversando e eu cada vez me encantando por ele. O que não poderia acontecer. Quem carrega pombogira sabe, que você pode atrair qualquer homem, mas não pode se apaixonar por nenhum deles.

Eu sabia que ele era corrupto, ele faz parte da política nojenta da minha cidade. Mas o que me chamou atenção até mais do que a beleza, foi o jeito dele. A simplicidade e humildade de um homem bem sucedido aos 31 anos me encantava. Eu comecei a me envolver cada vez mais, a atenção que ele me dava me surpreendia, e voltei a sentir o frio na barriga e o medo de me apaixonar, de me envolver, de alguém descobrir, afinal, ele conhece minha família toda, inclusive meu pai detesta ele.

Conversa vai, conversa vem, tarde da noite, provocações. Ele me adicionou em outro watzzap, nesse não tinha nem foto dele, tinha foto de uma paisagem. E nesse watzzap o papo ficou mais quente, ele não deixou claro, mas subentendido, que queria mais do que estava recebendo. E eu estava LOUCA para dar, mas ao mesmo tempo com medo, pois ele é do meu bairro, conhece minha família e toda vizinhança e enfim, era muito arriscado. Enfim, mandei uma foto da minha marca de biquíni, mostrando e escondendo os seios e ele ficou louco, pediu para eu abaixar mais. E o resto eu não preciso te contar, diário.

E a partir daí, eu comecei a me sentir um objeto sexual nas mãos dele. Sabia que qualquer plano de amor, de segurar o coração dele tinha ido de água a baixo com essas fotos. Vivemos numa sociedade machista e talvez eu também seja um pouco machista em pensar que uma mulher que se entrega logo jamais poderá ganhar o coração de um homem.

E foram mais de 50 fotos nuas enviadas para ele, pelada em todos os ângulos, o papo produtivo já tinha dado espaço para muita safadeza. E mesmo assim, eu não me sentia desvalorizada, pelo contrário, eu sentia que cada vez mais André estava mais atraído por mim. Ou seria pela pombogira?

Ele ganhou a eleição, e pasmem em primeiríssimo lugar, com 1110 votos. Veja como são as ironias do destino, a votação dele era para ter sido 1111, mas faltou 1 voto, esse voto foi o meu. Eu como cidadã consciente, não votei nele. Podem falar que meu corpinho está mais fácil do que o meu voto. Mas nas urnas não está apenas o meu destino, e sim de uma cidade inteira. Eu pensava, esse homem tendo caso comigo é corrupto com a esposa, o que dirá com os eleitores, o que dirá com uma população... sei que ele comprou muitos votos por aí, apesar de saber que nisso o povo tem culpa, eu jamais aprovo venda e compra de votos. Além do mais o mínimo que um vereador pode fazer é morar na cidade onde cumpre mandato, e a primeira coisa que André fez quando ganhou as eleições foi se mudar para um apartamento luxuoso na capital. Pois é, ainda assim 1110 burros quadrados votaram nele. Inclusive, se eu tivesse votado por questões parciais, eu já estaria arrependida nesse momento. Estou com a consciência limpa que não ajudei a eleger nenhum ladrão.

Depois das eleições, eu já percebi ele um pouco mais distante. Achei que ainda não tínhamos nos visto por ele estar ocupado com a campanha e que assim que ganhasse, nos veríamos logo. Mas não foi bem assim, até fiquei com medo de nossa safadeza não sair do watzzap.

Numa sexta-feira de tardezinha, nas pressas, porque ele teria uma reunião às 18h com o prefeito, nós fizemos amor. Ele me levou para o motel mais luxuoso que eu já fui na vida. Quando eu tinha caso com o delegado, também fui para motéis luxuosos, mas nenhum nunca chegou perto desse. Tinha hidromassagem e o escambau.

Modéstia parte eu fui perfeita, com uma roupa provocante e uma calcinha fio dental preta, bem perfumada, até chamei atenção do cobrador e do motorista do ônibus em que fui pelo perfume e ainda dei sorte de estar com o cabelo escovado no dia. Eu estava linda!

Já ele... eu gostei muito do jeito dele, do papo dele, o cara me levou para o motel mais luxuoso da cidade e ainda me trouxe na porta de casa,muito atencioso e um papo muito bom, mas na questão da beleza, parecia outra pessoa. Acho que quando eu o conheci ele estava muito arrumado, nesse dia ele tava na correria do dia a dia. E nossa, como estava mais gordo. Sinceramente, foi a primeira vez que eu dei para um gordinho na minha vida. Na verdade, ele é ex-gordo, já pesou bem mais e emagreceu mais de 20kg, mas acho que está voltando a engordar de novo.

Ele não estava depilado, não tava nenhum Tony Ramos, deu para chupar tranqüilo, mas quando chupava o saco dele, ainda passava a língua nos cabelos. Sinceramente, homem para mim tem que ta liso, muito mais gostoso de chupar, e eu gosto de fazer gracinha, chupar a virilha e talz, quando o homem está peludo nem dá para fazer isso. Mas acho que eu não decepcionei no sexo. Fiz tão gostoso como sempre faço.

Dei um banquete de sexo oral para ele, eu sei que homem gosta disso, e caprichei nas chupadas. Estava limpa, devidamente depilada, cheirosa, mas não achei que ele fosse me chupar, de novo, eu com a mania de status, achando que um homem como ele não iria cair de boca assim... chupou, chupou até por um bom tempo, mas não foi uma chupada boa, que me fizesse gemer verdadeiramente, gemi sim, mas praticamente fingindo orgasmo. Ele é narrador de foda e isso para mim não tem graça. Deitou na cama de meia, broxante.

Quando ele foi meter... imagina diário, uma bucetinha que já levou até apelido de terceiros de “alicate” por ser bem apertadinha e ainda mais 8 meses inativa. Ah, deu trabalho para meter e isso o surpreendeu, no momento de sexo ele até perguntou: - Você nunca deu essa buceta para ninguém não? Poderia ter mentido e dito que não, mas falei a verdade, disse que estava há muito tempo sem fazer sexo.

Ele faz sexo conversando e isso  me incomoda, fala tanto, que muitas coisas nem escuto. Para mim sexo é para gemer, para xingar, para falar puramente sacanagem, e não perguntar quantos meses estava sem sexo.Broxante.

Mas gemi muito, gemi alto, gemi feito uma louca como sempre. E isso o deixou louco, ele falou com entusiasmo: - Eu gosto de fuder assim!

Isso me deixou pensativa. A mulher dele faz a linha “bela, recatada e do lar” estilo Marcela Temer. Será que ela faz sacanagem na cama? Como eles têm filha pequena, não devem gemer alto para ela não ouvir... Ou será que ela tem só a cara de santa e é puta na cama? Fiquei curiosa.

Ele disse que já era para ter gozado há muito tempo e estava controlando. Aguentou duas posições, de papai e mamãe e de 4 e gozou! Gozou na camisinha. Inclusive antes de transar com ele eu sonhei que ele tinha AIDS e fiquei um pouco preocupada, pois sempre tenho sonhos premonitórios. Mas mesmo assim estava disposta a transar sem camisinha se ele quisesse, por quê? Porque eu estava disposta a enlouquecer esse homem e sei que sem camisinha é sempre mais gostoso.

Mas também fico aqui imaginando, se mesmo com camisinha ele gozou rápido, imagina sem? Metendo na minha buceta toda gozada e gemendo alto, acho que ele iria gozar na velocidade da luz.

Enfim, o sexo foi bem meeiro para mim, mas acredito que tenha sido bom para ele. Mesmo sem eu perguntar, ele falou que teria próximas, me intimou a comer meu cu, mas no dia seguinte eu tive uma surpresa.

Ainda falei com ele pelo watzzap quando cheguei em casa, agradeci por mesmo estando atrasado ter me trazido na porta de casa e falei que gostei do sexo e talz.

No dia seguinte, para minha surpresa eu estava blockeada no watzzap dele. Mas como assim? Se o sexo tivesse sido uma merda, se a gente não tivesse tido assunto, se eu fosse muito feia. Simplesmente não entendi e chorei, segurei as lágrimas, mas nesse dia eu chorei de raiva, rasguei santinho dele e também culpei minha pombagira. Fiquei me perguntando o para que ter uma pombogira, se não segura homem...

Depois me calei e comecei a levantar hipóteses do porquê ele ter me blockeado...

Ainda pensei na possibilidade de alguém ter blockeado por ele, a esposa ou alguma outra amante. Mas ninguém nunca pegou no celular de André, por que iria pegar logo agora? Foi ele mesmo que blockeou, isso eu tenho certeza.

Será que ele não gostou da foda? Sinceramente, diário, acho isso mais improvável, mulher pode esconder perfeitamente se está sentindo prazer na hora do sexo, mas homem não, era visível que ele estava gostando! Será que não gostou da minha conversa? Apesar de não nos conhecermos muito bem, diário, tivemos muito assunto, conversamos muito, rimos juntos. Acho essa hipótese também improvável.

Será que eu não sou padrão para ele? Isso eu desconfiei desde sempre. Como já falei, sou bonita, tenho corpo bonito, seios grandes, bumbum grande, pernas grossas... mas meu corpo é natural, não sou malhada.

Ou será que é próprio dele fazer isso? Hoje analisando os fatos eu vejo que essa é a hipótese mais contundente. André é conhecido aqui como o “vereador playboy” e ele fala disso como se orgulhasse de ser conhecido assim. Um “playboy” tem várias mulheres, transa  uma noite e raramente vai querer repetir, não porque não gostou, mas por uma questão de ego. E o mais interessante, é que ele mesmo falou no motel que queria outras vezes, depois ele me descartou da vida dele como se tivesse pago uma prostituta para comer e eu nunca recebi um centavo dele.

Ou será que ele ficou com peso na consciência? Ter chegado em casa, sentiu o carinho da família, da esposa e da filha e isso pesou. Diário, acho essa hipótese também distante, André não é homem de se arrepender ou ter crise de consciência, conheço bem o tipo dele.

Para não parecer grudenta, eu não mandei mensagem no dia em que blockeou. Será que isso pesou, porque eu mandava mensagem todos os dias, e ele sentiu que eu estava desapegada e quis demonstrar mais desapego que eu ? Inocentemente, acreditei muito nessa hipótese, hoje em dia descarto também, não faz sentido.

Ele me blockeou no watzzap em que conversávamos, mas eu ainda tinha o contato antigo dele, do qual ele me adicionou. Mandei mensagem por lá. Tentei ser carinhosa, e fingir que não estava sentindo nada, mesmo muito triste e arrasada, eu falei:

- André, você me blockeou no seu telefone da vivo? Para mim foi tão gostoso, não acredito que você se arrependeu...

Ele respondeu rindo:

- Meu telefone apenas está descarregado.

Me senti aliviada e ao mesmo tempo pensei que estivesse louca, que os frutos da minha ansiedade estariam me prejudicando. Mas não, fiz o teste no dia seguinte com outro celular e André realmente tinha me blockeado, apesar de ele ter negado isso.

Continuei a falar com ele pelo outro contato, ele demonstrava carinho, mas que ao mesmo tempo não tinha mais desejo.

Decidi largar de mão, já que ele queria assim, para me comer a hora eu quiser, eu decidi ir viver. Na véspera do feriado, fui a uma festa com amigos, bem arrumada, com um body ligado e um shortinho bem curto, eu estava irresistível. Bebi muito, cerveja, vodka, bebi tanto, que cheguei a cair duas vezes na porta da festa. Mas ainda assim, prefiro cair pelo peso da cachaça, do que pelo peso do chifre, como vejo muitas mulheres caírem. Caí, levantei, caí de novo, fui levantada, e acreditem, eu nem fiquei  com vergonha.

Na festa eu não peguei ninguém, meio bêbada, poucos homens que me chamassem a atenção e muitos comprometidos. Mas no dia seguinte, eu dei uma das melhores fodas do ano, bem superior a que eu tive com André, e esse menino já era repeteco.

Eu cheguei em casa leve, me sentindo a mulher mais gostosa de todas e numa paz, numa paz. Isso só pode ser a energia da pombogira, é uma energia única que eu não sinto todo dia, qualquer dia. Foi maravilhoso! Como eu me cuidei, me arrumei, me diverti, namorei, bebi, é como se eu tivesse alimentado a lebara que existe dentro de mim, e isso consequentemente atraído homens e inclusive, o que eu gostava mais.

Coloquei uma foto do dia da festa no facebook e para minha surpresa, André curtiu, ele nunca curte nada no meu face. Mas até aí fiquei de boas, o que é uma curtida no face? Às vezes a gente curte até involuntariamente. No dia seguinte ele me desblock do telefone dele da vivo e veio falar comigo:

- Bom dia, moça.

Eu poderia ter feito um charme, poderia ter sido difícil. Ou poderia ter logo marcado um novo encontro. Mas não, fiz tudo errado. Demonstrei ser a mesma boba tarada aos pés dele como sempre. Já respondi: - Bom dia, delícia! – Mandei foto nua e etc.

Nesse dia ele até respondeu minhas coisas com tesão.

Mas nos outros dias, com muita frieza, sem uma palavra de desejo, de tesão. Só eu falo, e é como se não tivesse falado para ninguém.

Comecei a me sentir um lixo, antes eu achava que ele me queria como um cadastro de reserva, para comer a hora que tivesse vontade. Mas o comportamento dele nesses últimos dias demonstra que ele não quer mais nada, pelo menos eu não trato uma pessoa como ele me trata quando ainda estou querendo alguma coisa.

Faz tempo que eu não me sentia tão usada na vida, tão descartável, e ainda mais sem um motivo aparente. Fui puta sim, fui fácil sim, mas não demonstrei ser interesseira, acho que na época das eleições, eu fui uma das poucas pessoas que não pegou 1 real dele, enquanto muitas pessoas pediam dinheiro, até meu primo e minha tia pegaram.

Apesar de não ter lado na política da minha cidade, eu demonstrei estar do lado dele, defendi ele e talz. Eu não entendi o que aconteceu. Se o sexo tivesse sido ruim...

Faço mil perguntas, mas no fundo eu sei a resposta. Nessa peça eu já fui atriz e já fui platéia. Você pode ser a mulher mais bonita do mundo, fazer um sexo incomparável, mas se for fácil, derretida, perde a estima, o valor e o respeito. Não falo de ser fácil em dar de primeira, ou de segunda... mas de ser aquela mulher entregue, que nunca diz não, que está sempre pronta para satisfazer o homem, que idolatra demais... esse foi o meu erro! Eu perdi o valor para ele, sei que posso mudar esse jogo se mudar o meu comportamento.

Mas não vou mudar por causa dele e sim por mim mesma, simplesmente porque cansei. Não sou garotinha para viver correndo atrás de homem como se fosse o último centavo de uma conta bancária. Aos 23 anos de idade, eu já estou com maturidade o suficiente para me retirar da mesa, quando não mais estou sendo servida. E fora que ainda tenho minha moral, porra, sou bonita, não sou das mais pobres da cidade, pelo contrário, meu pai é considerado um dos mais ricos, apesar de a gente viver uma vida tranqüila e mediana. Ele me conheceu numa época que estou sem estudar e trabalhar, mas estou bem próximo de realizar o sonho da minha vida, que é ser servidora pública. Eu tenho minha moral e não devo me desmoralizar correndo atrás de homem nenhum. Fora que ele nem é bonito lá essas coisas, meio gordinho. Por mais que ele seja rico, dele eu não ganho nenhum centavo. Eu não tenho motivos para me humilhar e implorar atenção dele.

Eu vou fazer o que certamente ele vai fazer comigo, fingir que não me conhece. Seguir minha vida e agradecer a Deus por esse segredo não sair do meu diário, ninguém sabe e ninguém nunca saberá. Seria muito desgosto para o meu pai saber que eu fui para cama com um dos vereadores  da cidade que ele mais abomina.

Eu não me arrependo de ter ficado com André, eu satisfiz a minha vontade do momento. Mas me arrependo de algumas coisas... me arrependo de ter enviado tantas fotos nuas, hoje não posso fazer nada contra ele, pois ele me tem nas mãos com essas fotos. Arrependo-me de ter recebido ele na minha casa na época das eleições, isso faz as pessoas acreditarem que ele é meu amigo, enquanto que o que eu tenho hoje com ele está mais próximo de uma inimizade.

Mais um chute na bunda que vai me empurrar para frente. Eu vou ter André como estímulo para realizar todos os meus sonhos. A putinha interesseira sem valor um dia irá surpreendê-lo. Meus grandes sonhos sempre foram: ser servidora pública, empresária e política. E sempre sonhei em realizá-los gradativamente. Em 2020 eu quero estar na política, brigando pau a pau com ele, quero roubar o eleitorado dele. E se eu não conseguir isso, eu quero pelo menos ser uma mulher influente na cidade tão quanto ele é, mesmo sendo tão jovem.

No meu baralho jamais haverá rei maior que a dama.




sábado, maio 21, 2016

Quase




Querido diário, em 2013 como você sabe, eu estagiei em uma empresa pública e desde então, me despertou a vontade de ser concursada. Eu via a moral que aquelas pessoas tinham, a tranqüilidade em saber que mais cedo ou mais tarde, não seriam demitidos. Via as viagens luxuosas que eles faziam e a troca de carro todo ano. Ali eu comecei a despertar a vontade, mas estudar e colocar a mão na massa mesmo foi em 2014.
Comecei pelo concurso do Ministério da Agricultura, meu Deus... não sei nem explicar o que foi aquilo, um desperdício de tempo? Uma ilusão? Uma alusão? Além de ser um concurso de nível altíssimo, eu não estava preparada e nem sabia por onde começar. Consegui uma apostila que não tinha nada a ver com o que foi cobrado na prova, foquei em conhecimentos específicos e não estudei os básicos. Enfim! A prova foi tão ruim, que eu nem conferi a nota.
Ainda em 2014, eu fiz o concurso da Perícia Criminal do meu estado. Consegui materiais meia-boca, mas que deu para assimilar boa parte do conteúdo, fiz provas anteriores. Não estudei de maneira perfeita, mas estudei relativamente de maneira correta. Mesmo assim eu achei que não iria passar, meu segundo concurso e errei VÁRIAS questões. Surpresa? Passei! E bem colocada, mas na segunda fase do concurso, que era o curso de formação, eu caí 10 posições.
Mesmo sendo aprovada na condição de cadastro de reserva, eu tinha quase certeza que seria convocada porque a necessidade no meu estado era gritante. Para nossa surpresa, o governador convocou apenas as vagas previstas em edital, sem nos deixar com esperança de novas convocações, e ainda para completar. O país entrou em crise.
Tentamos diálogo com a gestão, fizemos manifestações em órgãos públicos e nada resolveu nossa situação. Hoje tenho duas ações na Justiça, está prevista uma nova convocação para o meu cargo, mas eu estou fora desse quantitativo. Querido diário, não sei se é melhor ou pior, mas eu ainda mantenho a esperança acesa de ser nomeada.
Em 2015 eu perdi meu emprego e desde então, resolvi que não iria trabalhar mais, que iria me dedicar integralmente para concursos públicos. E foi justamente nesse ano que eu não fiz nenhum concurso. Eu disse que 2015 seria o ano de plantação para que 2016 fosse ano de colheita. E acreditei nisso.
Preparei-me por 1 ano e 5 meses para o concurso de uma autarquia federal, um concurso histórico e um dos mais concorridos do País.
Esse foi osso duro de roer, estudei duro por todo esse tempo, mas quando chegou na reta final, na última semana de prova, eu percebi todos meus erros... não balanceei as matérias, fiz poucas questões de banca, via pessoas fazendo mais de 10000, enquanto eu não passava nem de mil. Apesar de não ter passado, eu não fiquei infeliz com meu desempenho (mas também não fiquei feliz), eu vi pessoas que estavam mais bem preparadas que eu, ficarem com a mesma nota, fiz 83 pontos, mas a nota de corta deve ser acima de 90. Sem chance.
Agora em 2016 também resolvi que iria fazer concursos de prefeitura, porque é ano de eleição. E também tinha esses concursos como uma válvula de escape. Se nada desse certo na minha vida, eles dariam. Porque na minha concepção eram mais fáceis.
Querido diário, juro por Deus, que no meu primeiro concurso de prefeitura, primeiro desse ano e para o cargo de vigilante, eu errei apenas 2 questões e pensei que iria passar, mesmo sendo apenas 5 vagas. Poderia ter fechado a prova, dei mole, se eu tivesse revisto a prova antes de marcar no gabarito, certamente teria fechado. Quando saiu o resultado? São apenas 5 vagas, 2 pessoas fecharam a prova, 1 errou apenas uma questão, e eu que errei 2 empatei com 9 pessoas. Que azar! Apesar de o primeiro critério de desempate ser a nota de português, e eu ter fechado a prova de português, basta que dessas 9 pessoas, apenas 2 tenham fechado português também e sejam mais velhos que eu para passarem na minha frente. Aliás, um dia eu quero ser deputada federal e abolir o critério de desempate por idade nos concursos públicos. O critério que vai substituí-lo é histórico escolar. Sei que vou dar muito trabalho a muitas bancas, mas esse critério de idade é completamente injusto, discrepante e sem sentido.
O segundo concurso de prefeitura que eu fiz foi para guarda municipal. E esse eu não fui muito bem, nem pensei que fosse chegar próximo da aprovação. Única prova que eu fiz com convicção foi português, matemática eu chutei todas e o específico foi específico demais para mim. Resultado? Quase fechei a prova de português, por 1 ítem, ainda fiquei com 2 itens de matemática e metade do específico. Esse concurso tem segunda etapa (teste de aptidão física), e a coitada aqui achava que iria para o TAF, comecei a me preparar. Descobri que sou boa em corrida, abdominal já sabia que era tranqüilo e que tenho muita dificuldade com flexão de braço. Essa coitada não foi para o TAF por uma questão. Lamentável! Como você pode perceber, diário, esse está sendo para mim o ano do quase.
E saiu o resultado do terceiro concurso de prefeitura que eu fiz esse ano, também errei somente 2 questões e também estava bem confiante. Resultado? Eram 10 vagas, 1 pessoa fechou a prova, 6 pessoas erraram 1 questão, e euzinha que tinha errado 2 questões estou empatada com 13 pessoas.
Não é possível, deve ter algo conspirando contra, isso não parece natural, uma pessoa bater na trave em 3 concursos seguidos. Meus amigos tentam me animar, me dizendo que bater na trave é um bom sinal, sinal que estou fazendo as coisas certas. Mas é muito mais fácil, pensar que Deus não gosta de você, que o universo conspira contra, que não é para ser seu e que você é a mais fudida de todas as criaturas, que poderia ter acertado só mais uma questão para estar pulando de alegria e com garantia de aprovação. Eu estou sofrendo muito, diário. Louvo a Deus pela minha saúde, louvo a Deus pela minha família, mas o meu maior objetivo que é ser servidora pública, parece que não vai chegar nunca. To cansada, to frustrada e já senti vontade de desistir. Mas não tenho para onde ir, eu não tenho outra opção a não ser estudar para concursos públicos.

Isso tudo vai passar
Você não é a primeira, nem a única
Nem a última
Isso tudo vai passar
As barreiras são enormes
E a gente acha que não vai ultrapassar
As fraquezas são sinais de mudança
E quem não muda, dança
Isso tudo vai passar
Vai raiar um sol tão lindo
Que você quase não vai acreditar

(Poema que eu fiz para minha mesma nessa fase tão difícil, primeiro poema que eu escrevo)





quarta-feira, novembro 04, 2015

Dois pitelzinhos



Querido diário, li alguns comentários anteriores, pessoas (acho que homens) reclamando que eu não escrevo mais putaria no meu blog. Li esses comentários rindo, é claro. Já imaginava que as pessoas gostavam de uma putaria, mas não tanto... rs. E não é que andei lendo uns textos antigos eróticos meus, como: http://diariodagarotadevariasfaces.blogspot.com.br/2013/03/livre-e-nua-na-sua-cama.html http://diariodagarotadevariasfaces.blogspot.com.br/2013/02/a-pior-e-melhor-de-todas.html http://diariodagarotadevariasfaces.blogspot.com.br/2012/12/licao.html
... e não é que me deu saudade de escrever coisas eróticas, acho que levo jeito para coisa, rs.
Gente, eu quero deixar uma coisa bem clara aqui, eu criei esse blog unicamente com intuito financeiro, queria que estourasse e eu ficasse famosa dando entrevista nos programas de TV, por aí, rs. Criei esse blog alguns anos depois que a Bruna Surfistinha estourou com blog de sexo; escrevia mais ou menos na mesma época que a Nádia Lapa estourou com o blog Cem Homens, e realmente eu poderia ter estourado, talvez se eu não escrevesse no anonimato, demonstrasse minha identidade, explicasse de onde sou, quem sou e o que faço. Poderia ter estourado se fizesse parceria com grandes blogueiros, só que eu era muito nova e não sabia direito como funcionavam as coisas, achava que estourar ou não seria realmente uma questão de sorte.
O que mudou? O que mudou foi que eu amadureci, e vejo que se esse blog aqui com todos os detalhes da minha vida íntima e com todas as loucuras (e até crimes) que eu cometi viessem à tona, eu estaria no mínimo ferrada, e hoje agradeço (e muito) ao destino por esse blog não ter estourado.
E hoje eu (juro) não tenho nenhum intuito financeiro com esse blog, se tornou meu diário particular, escrevo o que eu quero e sinto vontade e ponto final, sem me importar se vou ser lida ou não. Agora claro, quem começou a ler o blog e tem paciência de verificar se eu atualizei (passo muito tempo sem atualizar) continua lendo, porque o que eu escrevo é bom, eu escrevo muito mais que um diário, eu coloco a minha vida no papel.
Estando tudo agora esclarecido, pode apagar a luz que vai começar a putaria, kkk. Gente, me deu vontade de escrever coisas eróticas novamente, e confesso que não estou mais naquele pique de 2012 e 2013 em que eu tava com mais ou menos 19, 20 anos louca para trepar com o mundo e o fundo e experimentar todas as sensações que eu nunca tinha experimentado na vida. Eu continuo a mesma puta que vocês conheceram, ok, garanhão, puta e viado são 3 coisas que não se consertam. Mas acontece, que eu já trepei com o mundo e o fundo, aprendi a valorizar a qualidade e não a quantidade e hoje enxergo o sexo até como uma fraqueza do homem e não como uma fortaleza. Mas enfim, vamos ao que eu quero escrever:
Querido diário, sou solteira, livre, leve e solta desde quando me conheço por gente. Entre uns casos mais sérios e outros menos sérios, eu nunca tive compromisso com ninguém, já me crucifiquei muito na vida por isso, mas hoje vejo que cada um tem uma maneira de viver e eu tenho a minha.
Já me apaixonei e muito, posso dizer que sim, já amei. Aos 15 anos, quem lê o blog há muito tempo sabe, que eu fui apaixonada por um mineiro pelo qual namorava a distância, me entreguei de corpo e alma e a falta desse amor quase acabou com a minha vida. Aos 20 anos eu conheci Giovanni, e essa história vocês estão cansados de saber, haja textos aí no blog falando sobre esse homem, sobre o quanto ele me esnobava, me maltratava e eu sofria igual a um bezerro desmamado. Hoje nem eu mesma agüento ler os textos que eu escrevia sobre Giovanni, ai, como o amor é chato! Aos 21 anos, quando eu não queria mais sarna para me coçar, conheci um homem feio, pobre, semi-analfabeto, mas de um coração nobre, que se não me fez sentir o que é o amor, me fez chegar muito perto disso. Acho que de todos esses, este foi o único que de fato, se apaixonou por mim, que cometia loucuras, batia na minha porta 2h, 3h da manhã, morria de ciúmes, ficava nervoso e até fazia merda no trabalho quando estava com raiva e eu chegava perto dele. Acho que esse me amou, mas como nem tudo é perfeito, ele era casado e o desfecho dessa história vocês podem ver em textos anteriores.
Desde quando sofri muito com meu primeiro amor (o mineiro), e depois apanhei de novo com Miguel (que na época achava que amava, hoje vejo que era pura carência), resolvi fechar meu coração, pensar de forma racional e ver que o amor é algo completamente dispensável, que você pode e deve ser feliz sozinha.
Pensar dessa maneira não me deixou isenta de me apaixonar novamente, nem de cometer merda, mas cada vez mais fortaleceu esse pensamento na minha mente, de forma, que hoje é muito difícil eu me apaixonar por alguém e desejar construir uma vida ao lado de uma pessoa. Não, eu quero construir as minhas coisas, meu patrimônio.
Estou há um tempo sem sexo, há exatamente 5 meses, tive poucos relacionamentos e confesso que nenhum deles me deixou de perna bamba, por isso mesmo, sosseguei. Fora que decidi estudar para concursos, coisa que me demanda muito tempo. Mas resolvi sair dessa castidade acidental, rs, até porque eu gosto de sexo, preciso de sexo e sinto falta de sexo, de chupar um pau, de ver alguém me penetrando com vigor, de me sentir machucada e cansada no dia anterior. Sexo quando é bom, quando é gostoso, é uma das 7 maravilhas do mundo. Costumo dizer que sexo é como comida, qualquer um sabe fazer, mas nem todo mundo saber fazer gostoso, rs.
E tem 2 pitelzinhos na minha horta, diário, que eu vou te contar, rs.
Um foi meu colega de curso de formação do concurso da Perícia. Ai, que delícia! E o mais interessante que na época do curso de formação eu nunca olhei para ele. Acho que por dois motivos: primeiro, porque apesar de ser bonito, ele não faz meu tipo, eu gosto de homens fortes, altos, e de preferência, morenos... ele é branquinho, tem um cabelo bom, baixo, e com o corpinho tudo no lugar. O segundo motivo, é que achava ele tão bonito, que na minha cabeça seria muita areia para o meu caminhão, achava que ele não poderia se interessar por uma menina do meu tipo. Não que eu não seja atraente, eu me acho muito atraente sim, mas pensei que ele gostasse do tipo patricinha, princesinha, não me toque, coisa que eu não sou.
Também quase não tive contato com ele no curso de formação, ele sempre muito reservado, na dele, meio tímido, sempre tava de papinho com uma menina sem graça de lá da sala, até pensei que ele estava de namorinho com ela, mas depois soube que a menina tinha namorado. Meu contato com ele começou depois do curso de formação, alguns meses depois, primeiro facebook, depois watzzap e por aí, vai.
Pelo watzzap comecei a achar ele muito saidinho, eu claro, dei corda, eu não perco nada, e ainda mais gatinho como ele.
Só que tem um problema, ele é do meu círculo social e num futuro (espero que bem breve) vai ser meu colega de trabalho. E por experiência própria, posso dizer que relacionamentos no trabalho só servem para afetar a convivência e queimar o filme.
E como se o problema fosse pequeno, ele ainda mora com dois colegas nossos, também do curso de formação e também futuros colegas de trabalho. Quer dizer, basta eu ter intimidades com ele na casa dele que eu chego na boca do povo.
Eu pensei duas vezes em ficar com esse cara. A vontade tá queimando por dentro, aquele jeitinho safado discreto dele, aquela barba bem aparada que parece fazer horrores no corpo de uma mulher, aquele corpinho gostoso com tudo no lugar. To louca para pegar ele, mas fiquei com receio pelos motivos que citei acima. Pensei e pensei, pensei que a gente poderia sair numa noite, beber, jantar, porque tem tempo que também não saio para lugar nenhum, pensei que a gente poderia pegar uma praia, ou simplesmente ir para casa dele fuder e vir embora.
Não me sinto bem, saindo com Thássio agora. Acho que se saíssemos, não teríamos nem assunto para conversar. Resolvi descomplicar as coisas e ir direto para casa dele. Ontem joguei um papo reto e perguntei se os meninos com quem ele mora estariam em casa esse final de semana ou se iriam viajar.
Ele ficou alegre, claro, e acho que surpreso também. Disse que iria procurar saber, eu disse que levaria algo para gente beber e material para estudar também.
Até agora ele ainda não me deu retorno e eu não sei se vai rolar esse final de semana.
O outro, diário, é completamente o oposto de Tássio. Se chama Wesley. É bem mais bonito, alto, corpo escultural, cara e tipo de safado, estilo don Juan. E também bem mais simples, trabalha numa loja e diz que faz bico finais de semana como garçom (apesar que essa história de bico como garçom não me desce redondo, estou desconfiada, que ele é gogoboy... tem tudo para ser).
Enquanto que Tássio é bonito, mas nada de deslumbrante, faz tipo bom moço, inteligente, intelectual, já é concursado, e inclusive, ano passado bateu na trave para o concurso de delegado, não passou por poucas questões e vai continuar estudando.
Ah, Wesley também é casado, Tássio é solteiro. Quando eu conheci o Wesley, perguntei se ele era casado, ele disse que sim, mas não capado. Eu achei graça, rs.
Também tenho muito tesão, desejo e todo erotismo que vocês imaginarem pelo Wesley, pretendo pegar ele em breve assim que a vida me der oportunidade. Mas esse final de semana, eu dei preferência ao Tássio.
Por que eu dei preferência ao Tássio, se o Wesley é bem mais bonito, descolado e bem menos complicado?
Diário, sabe aquela história que o ser humano gosta mais do que é difícil, do que é mais raro? Homens como Wesley há muitos por aí, como ele já passou muitos na minha vida, e muitos outros passarão, mas como o Tássio não.
E também tem aquela história que a pessoa tem mais fetiche por alguém do seu círculo social, que o homem pode ter mais tesão por uma vizinha, uma colega de trabalho, do que por uma modelo, uma panicat, uma mulher esplêndida reconhecida nacionalmente.
Então acho que eu não preciso explicar mais nada, vamos ver se esse final de semana vai render. Se não rolar com Tássio, se ele disser que os meninos com quem ele mora vão ficar em casa, adivinha o que eu vou fazer diário? Vou ficar com o Wesley, porque sou livre, leve, solta, bonita, gostosa e não devo nada para ninguém!

sexta-feira, outubro 16, 2015

A menina que não tem sorte




Querido diário, a minha irmã sempre foi uma menina estudiosa, perfeccionista e simpática. Uma menina perfeita? Diria que sim. Sempre foi aluna número 1 da escola, chorava horrores se tirasse um 9,8, almejando um 10,0 e sempre foi o poço de simpatia com a mãe dela, ops, com a nossa mãe, e com todos da família.
Acho que cada um é merecedor do que tem e nasce com um estrelinha brilhando mais ou brilhando menos, mas claro, cada um alcança o seu mérito. Hoje minha irmã é mais que uma garotinha perfeita, ela é uma máquina, infalível, invencível, e claro, muito invejada.
Ela simplesmente juntou todas as qualidades que ela tem com a experiência e os ensinamentos que eu passei para ela e puff, se tornou nessa máquina que ela é hoje.
Estudávamos na mesma escola e certamente, ela teria o mesmo destino que eu tive. E o que sou hoje? Nada, ninguém. Mas eu queria que minha irmã tivesse um destino diferente e claro, eu via que ela tinha capacidade para isso. A inscrevi em um concurso de bolsas em uma das melhores escolas do estado, acho que na época, ela nem sabia muito bem o que era isso. Mas eu a inscrevi, imprimi o edital, imprimi provas passadas, montei o cronograma dividindo os assuntos de acordo com os dias que ela deveria estudar até chegar o dia D. Ah, e não bastasse tudo isso, ainda emprestei os meus livros de ensino médio para ela estudar, sendo que ela era ensino fundamental. Claro que ela iria ultrapassar todas as colegas que tinham a idade dela, que estavam competindo com ela. Ela estava estudando por um material avançado e eu montei um cronograma de mestre para ela, cronograma de uma pessoa experiente, que já tinha passado por vários desses concursos de bolsa, tinha prestado provas para institutos federais e alguns vestibulares. Cara, eu nunca fui uma gênia, mas eu sabia como funcionavam as coisas.
Não deu outra, ela foi aprovada no concurso de bolsa, conseguindo estudar quase de graça em uma das melhores escolas do estado, e assim ir traçando um destino diferente do meu.
Não bastasse ela ter todo o sucesso, fruto de seu desempenho misturado com a estrelinha que nasceu brilhando em sua testa, hoje ainda teve a sorte de ganhar um ingresso para o show de Roberto Carlos e realizar o sonho da mãe dela, ops, de nossa mãe de assistir ao show.
A família até que se animou, de início pensávamos que seriam dois ingressos, e nisso os nossos pais iriam juntos a esse show. Decepção ao perceber que tinha sido sorteado apenas um ingresso. Minha mãe que sempre foi dependente do meu pai para tudo jamais iria sozinha para essa festa, como não foi. A única opção era vender o ingresso, e isso eu me dispus.
Há muito tempo eu sonho em empreender e montar um grande negócio, há algumas semanas atrás eu estava assistindo a um documentário do Marcelo Nascimento, para quem não sabe quem é, é o maior estelionatário do Brasil, dizendo que chegou a vender até coisas que não existiam. Uma vez vi uma propaganda do HSBC em que um grande empresário dizia que vender era simplesmente seduzir. E isso, claro, me fascinou, encheu meus olhos. Ninguém quer aprender a ser anjo, todos querem aprender a ser diabo, a ter dinheiro, poder e mostrar que tem poder.
Hoje, pela primeira vez, eu tive a oportunidade de testar o meu poder de persuasão, de vender, ou como diria o empresário da propaganda do HSBC, simplesmente, o poder de seduzir.
Confesso que no início eu senti vergonha de vender o ingresso, era como se eu tivesse necessitada. Mas depois, montei uma propaganda atraente e decidi cair para frente. Enviei a todos os meus contatos, amigos, ex-amigos, pessoas conhecidas, grupos de vendas das redes sociais, meus paquerinhas, pensei que esses paquerinhas até poderiam comprar por comprar, para se amostrar, para me ajudar. Que nada! Não deu certo! Eu estava oferecendo o preço original, caríssimo, se conseguisse vender, eu teria um lucro absurdo. Aliás, eu não, o dinheiro eu iria entregar à dona do ingresso, mas eu também ganharia, era como se eu fosse aprovada no teste que eu mesma estava fazendo do meu poder de persuasão.
Quando eu já tava me sentindo uma bosta por não ter conseguido vender, praticamente desistido e já decidida a entregar o ingresso no dia seguinte por um preço bem inferior, uma amiga chama no watzzap e diz que queria o ingresso.
Diário, eu não consegui vender pelo preço original, pois o preço era simplesmente repugnante, enquanto que a mercadoria era muito boa. Acabei fechando negócio por R$150,00 e marcando de fazer entrega no dia posterior.
Eu não tive a satisfação e o prazer de vender pelo preço que eu queria, mas ao mesmo, senti o alívio de ter vendido esse ingresso, que caso não fosse vendido, não teria utilidade nenhuma.
Depois disso aconteceu um fato, no mínimo, curioso, na minha casa. Minha irmã começou a chorar feito uma louca, dizendo que preferia ter dado a alegria para nossa mãe de ir ao show do que vender o ingresso. Ah, e ainda dizendo que não tem sorte para nada na vida.
Eu fiquei simplesmente perplexa, você imagina, diário, eu que passei a tarde toda tentando vender esse ingresso a um e a outro, passei até a vergonha de ter tentado vender para uma pessoa que rejeitou com desdém, fazendo pouco caso. Quando finalmente consegui vender, assistir a uma cena patética dessa, ah, e mais ouvi dizer a frase mais absurda que já ouvi, que ela não tem sorte.
Será que ela não teve sorte de nascido numa família estruturada, de uma condição financeira relativamente boa? Será que ela não teve sorte de ter feito esse concurso de bolsas, de ter passado e até hoje estar estudando na mesma escola? Ah, interessante, que na época que eu tinha a idade dela, eu tive a mesma oportunidade que ela, mas não tinha ninguém que me orientasse.
Ah, e como não bastasse, o universo mostrou que ela é totalmente isenta de sorte, ao fazê-la ganhar esse ingresso para um grande show do “rei” Roberto Carlos.
Diário, e me diz uma coisa?! Se ela não tem sorte, eu sou a pessoa mais fudida do mundo, não é?! Porque eu garanto que ela nunca passou por metade do que eu passei.
Nada nunca na minha vida deu certo. Quando eu tinha mais ou menos a idade dela, época de vestibular, passei de primeira e em uma das melhores colocações em um curso numa universidade federal. E o que deu? Em merda de nada, eu me perdi na universidade, não me encontrei no curso, odiava a turma, perdia matéria uma atrás da outra, quando via que ia perder, desistia antes, me sentia uma brasileira tomando gol da seleção germânica de 7 a 1, até que eu simplesmente desisti, saí da universidade para não voltar nunca mais.
Na época, eu escutava que curso técnico era bom, era top, que o Brasil precisa de técnicos, que quem faz curso técnico não fica desempregado. E no curso técnico eu me encontrei, eu me sentia em casa, eu amo química! E o que resultou o meu curso técnico? Estagiei numa farmácia, e foi a pior experiência profissional da minha vida! Eu era muito imatura na época, era incompetente para caramba e brincava demais, era moleca demais, não tinha modos e nem postura, fui demitida. Lembro como hoje, a maneira que a dona da farmácia me dispensou, jogando o meu salário sobre a mesa, sem olhar para minha cara, e pegando o telefone para ligar para uma amiga. Um dos meus sonhos é um dia voltar nessa farmácia, estacionar um carrão na porta, bem vestida, portando jóias caras e exalando perfume importado para simplesmente encomendar um produto de beleza qualquer, para mostrar para a proprietária e antigas funcionárias, que eu venci.
Depois disso, eu estagiei em uma das empresas que é um dos maiores sonhos para os químicos de todo o País, Petrobras. Nesse estágio, eu me demonstrei uma excelente profissional, ativa, inteligente, rápida, mas pequei drasticamente no convívio com as pessoas, procurei confusão com pessoas de bigode grosso, não fui contratada e jamais seria.
Depois tive uma outra experiência profissional, numa empresa pública de abastecimento de água, mais uma vez fui uma excelente profissional, e dessa vez, olha que incrível, não tive problemas com as pessoas. Acho que na época eu tava tão preocupada em crescer, em mudar minha vida, procurando outro emprego, começando a estudar para concursos públicos, que simplesmente eu não via as pessoas com quem eu trabalhava como pessoas, mas sim como colegas de trabalho. Passei pouco tempo nessa empresa, porque como disse, eu queria crescer.
Até que finalmente eu consegui meu primeiro emprego, emprego mesmo, os outros haviam sido estágio, mais uma vez, me demonstrei uma profissional nota 10, me orgulho muito em dizer que passei 10 meses numa fábrica que nunca teve 10 centavos de prejuízo por minha causa, sempre procedi da maneira correta nas mais diversas situações, mas pequei mais uma vez no convívio com as pessoas. Eu não agüentei tanta falsidade, cinismo, pessoas querendo derrubar os outros para se promoverem, eu explodi. Briguei em média, com umas 10 pessoas na fábrica, de um simples operador de máquina até a minha chefe, que era uma das herdeiras da fábrica. E adivinha para onde eu fui, diário? Para a rua. Hoje eu sei coisas simples, que na época eu até sabia, mas não dava atenção. Se hoje colocasse essas coisas em prática, seria tudo de diferente, eu não ia me indignar tanto com esse mundo de falsidade e competição, ia buscar ganhar a simpatia e confiança de todo mundo, e o mais importante, ia escolher o momento certo para sair, e sair no dia que eu quisesse, como eu não soube escolher e fiz tudo errado, saí no dia que eles quiseram, com um rabo entre as pernas, mais humilhada do que tudo.
Desde o final de 2013 e início de 2014, eu havia me conscientizado de que a melhor coisa para mim era passar num concurso público. E consegui isso, relativamente rápido. Mas creiam, meu concurso deu tudo errado. Acho que o Brasil é o único lugar do mundo, em que você estuda, é aprovado em um concurso público, faz curso de formação e precisa processar o Estado para ser convocado. Hoje eu estou lutando na Justiça e no Ministério Público pelos meus direitos de assumir o cargo. Vai dar certo? Isso é uma resposta que só Deus pode responder. Quando? É outra resposta que também só Ele pode responder.
Talvez esse concurso, a ação na justiça e o procedimento no Ministério Público, hoje são os únicos motivos que me mantém viva, ando num desgosto tão grande que em outros tempos eu já teria me suicidado, eu tô na lama, fui derrotada por todos os meus inimigos. Mas aí eu penso, me suicidar e se minha vitória estiver mais perto do que eu imagino? Esse concurso é de fato, é a única coisa que pode mudar a minha vida, não financeiramente, mas moralmente.
Fora que eu tenho outras histórias da minha vida, de comover qualquer coração de pedra, de impressionar qualquer pessoa. Quando eu trabalhava (meu primeiro emprego) e fiz o curso de formação desse concurso, eu estudava pelo dia e trabalhava de madrugada. Você imagina a luta? Eu não dormia, cochilava, e isso foi durante 45 dias! O que me manteve em pé? A motivação, a vontade de ser concursada!
Quando saí de casa, deixei minha filha, meu bichinho de estimação, o único ser que eu nutri amor e que sentia que era recíproco, amor esse que me tirou do vale da morte várias vezes quando pensei em me suicidar. Quando eu saí de casa, me prometeram que iam cuidar dela, e não cuidaram, eu tenho certeza que não cuidaram, não deram o mesmo carinho que eu dava para ela, deixando ela sentir a minha ausência, não perceberam que ela estava doente, quando foram perceber, tarde demais, morreu no mesmo dia. E como não bastasse o castigo, para mexer com minha cabeça, morreu uma semana antes de começar o meu curso de formação do concurso público que eu havia sido aprovada.
E ainda como se fosse pouco, meu pai com a insensatez e imaturidade dele, nos meus primeiros dias de curso de formação, foi fazer escândalo em frente a Academia de Polícia por um motivo banal, me matando de vergonha na frente de até então desconhecidos, chamando atenção dos policiais do local a ponto de virem me perguntar se eu queria abrir um procedimento jurídico. Será que minha irmãzinha que diz que não tem sorte já passou por metade do que eu passei?!
Inclusive, essa quarta-feira ela vai receber um prêmio, e eu não estarei presente. As únicas pessoas que são importantes e que ela precisa estarão lá, o pai e a mãe dela. Para demonstrar o quanto as pessoas são importantes não basta falar, tem que demonstrar, tratar como gente, e não como um cachorro.