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quinta-feira, junho 03, 2010

Karatê

Uma vez eu escultei de um personagem de um filme, que quando a gente dominar a arte do karatê por inteiro, a gente estará dominando absolutamente tudo na vida. E de fato, isso é uma verdade.
Eu sempre fui muito desiquilibrada, muito medrosa, muito insegura, mas desde quando eu conheci o 'caminho das mãos vazias", eu mudei e as pessoas também notaram a minha mudança.
Quando eu terminei o meu ensino fundamental e fui cursar o ensino médio na escola X eu já pensava em fazer uma arte marcial, pois lá já tinham me dito que tinha judô. E minha surpresa foi que quando eu cheguei na escola X, chegou também um esporte novo na escola, que era o karatê. Aí eu fiquei dividida, não sabia se faria judô ou karatê. O meu pai dizia que eu deveria escolher o karatê, que judô só servia para quebrar os braços, e que eu seria campeã no karatê. Minha tia dizia que eu deveria fazer judô. E nisso, eu fiquei muito dividida, mas alguma coisa me dizia que eu deveria fazer karatê.
No dia da escolha do esporte, eu fui na sala da coordenação e pedi para colocarem o meu nome no judô, mas disse que estava confusa. Simplesmente a professora de natação olhou para mim e disse, "mas, mulher, o professor de karatê também é bonito, e ele ainda é melhor porque é alto". Cara, não esperava escultar essa opinião da professora, mas foi aí que eu disse, "Ah, então coloquem o meu nome no karatê mesmo." E me falaram que o nome do professor de karatê era Jailson. Poxa, esse nome me chamou muito a atenção, desde então fiquei curiosa para saber quem era o professor de karatê.
Um certo dia, a gente estava em aula, e o coordenador de esportes entrou na sala para apresentar o professor de karatê, o coordenador falou rápido, ficou na frente dele e mal deu para vê-lo. Mas mesmo assim, eu me vi apaixonada pelo professor de karatê. Ele era muito lindo, moreno, alto, forte, era tudo, tinha aquele charme de homem sério, aquele ar de homem valente. Ele era tudo que eu nunca tinha visto na minha vida.
Só falava dele com a minha nova amiga Nicinha, escultava músicas pensando nele, estava louca para vê-lo novamente na escola. É, eu estava apaixonada.
Só que no meio desse sonho todo, havia indícios de pesadelo. Eu morava no interior, como eu iria sair da escola às 12:30h e retornar à mesma às 15:00h. Seria difícil, mas vi que não era impossível.
Um certo dia , na hora do intervalo, estávamos eu e minha amiga Nicinha lanchando, quando eu avistei de longe o professor de karatê. Cara, eu dei um grito, que chamou a atenção de muitas pessoas lá no pátio, "Nicinha, olha o professor de karatê", e puxei ela pelo braço e corri na direção dele. Quando cheguei perto, inventei assunto para falar com ele fui falar sobre o kimono, perguntei se poderia ir sem ele nos primeiros treinos.
E era sempre assim, todas as vezes que eu via o professor de karatê na escola eu ficava emocionada e sempre inventava um pretexto para falar com ele. Foi numa dessas que eu soltei uma diretíssima, "Professor, o senhor fica tão lindo com kimono". Ele simplesmente mudou de assunto. Ho-ho, é claro que ele não iria me dar ousadia, até porque ele era um professor novato na escola.
E os treinos começaram, e eu não estava indo, já estava certo que não iria, por causa daquela questão que eu morava no interior.
Eu ficava perguntando a Nicinha como eram os treinos, pedia a ela para pegar o número do celular dele para eu ligar. Ela falava que os treinos eram sem graça, que ela estava pensando em sair e que não teria coragem de pedir o telefone do professor. Isso tudo me motivou a me esforçar para participar do karatê.
Lembro-me do primeiro dia que fui ao treino. Quando cheguei lá, já tinha terminado. (risos) Ou melhor, não tinha acabado, mas grande parte das pessoas já tinham ido embora. Só estavam lá 2 meninos, um gordinho e um cabeludo fazendo uns movimentos esquisitos. Eu não lembro como e nem o porquê, mas lembro que fiz o instrutor ligar para o professor, e que eu falei com Jailson pelo telefone. Não lembro o que e nem o porquê, mas me lembro muito bem da emoção de ter falado com ele pelo telefone. Essas coisas me davam esperança...
Lembro-me dos primeiros treinos. A gente não treinava quase nada de karatê em si, fazíamos exercícios para melhorar o nosso condicionamento físico. Cara, eu chegava em casa morta de cansada, passava dias com dores no corpo inteiro. Eu treinava quarta-feira e só vinha me recuperar das dores na sexta-feira que já era dia de treinar de novo. Por isso que eu digo que o karatê, para mim sempre foi uma batalha, porque eu nunca tinha praticado esporte nenhum, e comecei logo por uma modalidade dessa que exige tanto esforço e força de vontade. É, não foi fácil, mas eu consegui me adaptar.

Lembro-me do primeiro golpe que dei no karatê. Fui lutar com uma colega chamada Diana. Logo de cara eu dei um murro na barriga dela. Mas foi um murro tão estranho, eu girei o braço e entrei, como se tivesse girando uma corda (risos). E ela sentiu muita dor, lembro-me que o professor mandou ela deitar no chão para aliviar a dor.

Nos primeiros minutos dos treinos quem dava aula era o nosso instrutor Nércio, porque o professor sempre chegava atrasado porque ele tinha outro emprego. Então nessas primeiras horas eu treinava certinho, mas quando o professor chegava eu perdia a noção de tudo.

Ah, quando ele chegava eu esquecia de tudo, ficava olhando para aquele corpo lindo, pensando numa estratégia para conquistá-lo. Só que esse meu comportamento me fazia uma péssima aluna. Esse foi um dos motivos que me fez esquecer Jailson.

Diário, hoje eu juro para você que eu não sinto nada pelo meu professor de karatê, a não ser respeito. Apesar de ele me irritar algumas vezes, eu tenho ele como um pai, um pai a me conduzir no "caminho das mãos vazias". E fatos me fizeram tirá-lo da minha cabeça, por exemplo, ele é casado e tem duas filhas, a minha paixão por ele me desconcentrava nas aulas, eu poderia decepcionar seriamente o meu pai se um dia eu tivesse um caso com o meu professor de karatê. Então é isso, diário, a realidade da vida me fez deixar de lado as ilusões.

E no ano de 2008, eu era uma péssima aluna, não conseguia fazer nenhum movimento certo, não aprendia de jeito nenhum o katá, no kumitê (que é o nome dado à luta) eu perdia em disparada. Lembro-me que evoluí um pouco quando fui fazer meu primeiro exame de faixa, aí eu teria que aprender o katá Naham Shodan de qualquer jeito e aprendi.

No meu primeiro campeonato eu peguei uma lutadora faixa preta famosa, e essa era osso duro de roer, arrebentava mesmo, enquanto ela lutava com outras meninas meu sensei me chamou para um canto e me ensinou estratégias boas para detonar essa minha adversária, só que seria bom demais se eu soubesse aplicar tudo que ele me ensinou. E eu ainda tinha uma vantagem, ela estava com um pé arrebentado. Segredinho nosso, diário, meu professor me falou que eu pisasse sem querer no pé dela para machucar ainda mais. E a luta começou, ela já é feia, e ainda conseguia ficar mais feia fazendo uma cara mais feia ainda, ela tentava me chutar de todas as formas possíveis, mas eu sempre recuava, e ela acabava chutando o vento. Você acredita, diário, que eu ainda dava um sorriso sarcástico caçoando da lerdeza dela. É, diário, mas quando ela entendeu o jogo e conseguiu me acertar, o bicho pegou. Ela chutava muito forte. Acho que o golpe mais forte que ela me deu foi um kizame mowashi na vulva... nossa! E eu pedi o médico... Na verdade, diário, o chute doeu, mas dava para aguentar, eu sou resistente, mas eu pensava que se eu me machucasse e saísse da luta, a vencedora seria eu, mas não era bem assim. O chute foi na vulva e lá vinha o médico com gelo para passar, eu disse "ah, doutor, não dá não, foi aqui". Aí ele disse, "Eita, agora foi que deu. Você vai ter que ir passar no banheiro", eu disse, "ah, doutor, então deixa pra lá, eu aguento até o final". E a luta prosseguiu. Ela continuou me chutando, me chutando, e ganhou a luta.

Sabe, diário, agora me veio uma lembrança, é nessas horas que a gente percebe que pai, que herói a gente tem. Meu pai é uma pessoa muito séria e reservada, mas no dia da luta, ele ficou gritando, me dando aquele apoio. Obrigada por tudo, painho!

E depois dessa minha primeira competição, vieram muitas outras, e eu sempre lutava com Valeska, a menina faixa preta que mencionei, uma vez ou outra eu ganhava alguma medalha no katá, mas no kumitê eu nunca ganhava.

Aí veio o ano de 2009, abriu uma academia quase em frente à minha casa que tinha aula de boxe chinês e kung fu. Meu primo queria treinar, a mãe dele dizia que só deixaria se eu fosse treinar também. Só que aí eu tinha que estudar, tinha que treinar karatê também, não queria fazer outro esporte para não ficar sobrecarregada, porém, a vontade de praticar outra arte marcial falou mais alto.

Uma vez chamei meu primo e fomos lá na academia saber dos horários. Advinha, o que eu vi lá? Nossa, eu vi um cara que mexeu comigo. Um moreno não muito alto e nem tão forte, com uma cara de inocente e um ar de homem valente. Diário, você acredita que eu me apaixonei por ele também? (risos). É, acho que tenho fetiche por lutadores. Vou logo te adiantando que com esse não deu em nada também, ele também se apaixonou por mim, porém, eu era a dama e ele o vagabundo, nunca ia dar certo, portanto, mesmo gostando dele eu nunca dei esperanças.

Então nesse dia eu chamei ele de professor e perguntei o que queria saber. Ele me disse que não era o professor, e que eu o esperasse, pois ele estava se trocando no banheiro. Depois, o professor saiu. Era um coroa do corpo atlético, com um ar de bom profissional e pessoa honesta. Realmente eu não me enganei, ele era um professor e tanto, e pelas aulas de filosofia de vida que ele dava para gente dava para perceber também que ele era uma pessoa honesta. Ele só tinha o defeito de ser grosso, mas esse quase todos os professores de artes marciais têm.

Diário, eu te confesso que também não era uma boxeadora de mão cheia, porém, a experiência que eu já tinha no karatê, me fazia uma atleta razoável.

O boxe me ajudou muito no karatê. Na verdade, eu aprendi a lutar mesmo foi no boxe, pois hoje eu posso passar 1 ano sem treinar, que mesmo assim estarei apta a bater em quem eu quiser. O boxe me fez ficar mais forte, mais resistente, mais hábil. Me tornei uma lutadora mais completa, pois ganhei a velocidade do karatê e a agressividade do boxe.

Foi uma pena eu ter sido obrigada a abandonar o boxe, porque em 2009 eu tive um nódulo na parótida e me proíbiram de treinar, depois eu precisei sair para estudar mais para o vestibular, e depois o professor tirou a academia de frente da minha casa.

Poxa,no dia em que passei pela academia de manhã cedo, e vi o professor tirando as coisas de lá me deu um aperto no coração em perceber que nada nessa vida é eterno, tudo é efêmero. É como se meu sonho de ser boxeadora tivesse ido de água a baixo... sinto muita saudade do boxe, muita mesmo.

Por enquanto, estou só no karatê. E temo que esse seja meu último ano também no karatê, porque eu estou crescendo, amadurecendo, ficando velha, começando a assumir responsabilidades. Próximo ano tenho a previsão de estudar pela manhã, tarde e noite, e aê, aonde encaixo o karatê? Mas, tudo bem, não vamos pensar no futuro porque talvez ele se modifique por completo, vamos aproveitar intensamente o presente, treinar muito para crescer na arte e na vida.

Mas eu posso dizer que o karatê mudou a minha história, é responsável pela formação da minha personalidade, marcou a minha vida e que eu o amo, e tenho esperança de poder seguir pelo resto da minha vida "o caminho das mãos vazias".

19 comentários:

  1. Eu me sinto assim em relação ao teatro! Tmb mudou minha vida..
    Sempre tive interesse no Karatê, mas nunca tirei o tempo para tentar...
    Acho um esporte cheio de valores e disciplina.. Uma ótima escolha!

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  2. Sim, dizem que Karate é bom.
    uma dica: textos menores ;D

    passa la tem banda nova
    www.buscandoreconhecimento.blogspot.com

    @luanamurari_

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  3. Toda arte nos trás diciplina, sereniedade e determinação. E é isso que eu preciso, determinação! hauhau
    ja fiz durante uns 2 ou 3 meses de karatê, era legal, mais nao me encontrei nesse esporte, do mesmo jeito que ja tentei milhares de coisas, milhares mesmo, e nunca me atrai por nada, haha
    mais é isso, boa sorte, que venham muitas vitorias por ai!
    Só nao posso dizer que li o texto todo, grande demais, mais eu li bastante! huahau


    www.skitnevsky.blogspot.com

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  4. Já tive curiosidade com o karate, mas nunca tive coragem de praticar, me acho um pouco delicadinha demais hehehe!

    beijinhos!

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  5. Eu fiz karate, fiz várias artes marciais. Mas nunca me preencheu, bem, é de cada um.

    Pato em Foco! Um blog sobre fotografia.
    http://patoemfoco.org - Visite!

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  6. ah, mas delicadeza ñ vai contra ao karatê e a nenhuma arte marcial, ok, vc ñ vai deixar de ser delicada pelo fato de praticar uma luta, vc vai passar a ser mais forte, mais resistente e continuará sendo uma mulher delicada :)
    pode crê ;)

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  7. Dizem que o karaté é bom mesmo, mais não me vejo praticando essa arte. QUe bom que você se indentificou, .
    Dica: Textos menores, caso contrário quase ninguém vai comentar.
    Beijos;]

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  8. karate deve ser bom msm^^
    qria aprender

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  9. Eu até ia comentar alguma coisa,mas você me deu DOIS CALOtes e então retribuirei, o meu post é pequeno e não tem nenhum coment seu recebido, não sei se chegou a perceber, é um assunto chato de falar, só que dar calote é muito feio!

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  10. Ah! que legal =)
    faço teatro e fotografia ambos mudaram minha vida de uma forma tão linda

    seguindo =)

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  11. Já fiz karate :D Olha, você aprende bastante coisa se seu sensei saber o que faz. E vai por mim, karatê foi a melhor escolha HAHA
    Muda a vida de qualquer praticante, mesmo se mudar apenas na hora de bater em alguém, ou simplesmente correr! HAHAH Preparo físico mil rs

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  12. eu já fiz natação , ballet ,, judó, volei , mais nunca pensei em karate , deve ser muito legal

    http://www.blogescolhas.tk/

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  13. Você tem síndrome da paixão platônica. É só chegar alguém que passe a ideia de "superioridade" e força que vc fica GAMADA hasuhaush.

    Eu gostei muito da história, achei bem legal mesmo.

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  14. vc escreve super bem so axo q divia ser postado em partes
    ^^

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  15. karate é bem legal! não concordo com essa dica de textos menores...poxa, é tão bom ler :P...

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  16. Pratico Karatê , e pra mim foi uma otima escolha , ele entrou na minha vida , mecheu com o fisico e o psicológico !
    Pratico e recomendo o Karatê

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  17. aguentar um chute na vulva não é para qualquer mulher parabens guerreira vc em!!^^

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