
Querido diário, hoje peguei um ônibus para ir ao curso, entrei no ônibus junto com 2 caras. Pela minha surpresa não tinha mais vaga. Fiquei barriada com o motorista, pra que parar essa porra, se é pra gente ficar em pé... e por que quem está em pé tem que pagar o mesmo de quem está sentado. É um absurdo!
E mais absurdo ainda é que a maior porção que ocupava o ônibus era masculina. Advinha se alguém como homem cavalheiro, me cedeu um lugar? A resposta é não.
Eu fiquei muito irritada mesmo diário, de ver tanto macho dentro do ônibus e nenhum ceder um lugar pra mim. Mas logo depois eu percebi que de macho, eles não tinham nada.
No banco à minha frente, sentava um homem bem bonito, aliás bonito, não, um gatão, eu mesma pegaria se ele fosse um pouquinho mais educado e me cedesse o lugar. Ao lado dele estava sentado um rapaz branquinho, magrinho, baixinho e feinho. Esse cara com freqüência olhava para o bonitão, e o mirava mais ou menos da pescoço até as coxas. E isso se repetia várias vezes. É, ele também tava querendo o que eu ia querer se o cara me cedesse o lugar.
Quando olhei para o banco que estava atrás de mim, no qual eu me encostava, dois caras estavam conversando. Mas não era uma conversa de macho pra macho, diário, o sorriso deles entregava o desejo. Uma conversa de homem hetero para outro hetero, geralmente eles falam alto, fala sobre mulher, esporte e trabalho, e aquele sorrisinho que eu vi, jamais dariam um para o outro.
Quando saíram pessoas do ônibus, desocupando lugar, eu finalmente, consegui me sentar. O cara que estava ao meu lado é um gay inscrito,o olhar, o jeito, a voz não feminina, mas delicada que eu ouvi quando me pediu licença...
E não pense, diário, que seja um exagero meu, ou raiva do momento para pensar que eles eram gays. É que as minhas amizades me fizeram abrir os olhos para o mundo que é bissexual. Por mais que seja discreto, um simples olhar, sorriso ou gesto pode entregar o que você faz com o buraquinho de trás.